Categorias: Notícias

Palestinos vão transferir restaurante universitário vegano de Jerusalém para Ramallah

Em outubro de 2016, a Universidade de Al Quds, em Jerusalém, ganhou um restaurante universitário vegano (Foto: Divulgação)

Há pouco mais de dois anos, a Universidade de Al Quds, em Jerusalém, na parte Palestina, ganhou um restaurante universitário vegano – Sudfeh. Logo no primeiro mês, a Liga Animal Palestina (PAL), formada principalmente por estudantes, comercializou 1,6 mil refeições veganas.

Embora tivessem receio de que a aceitação não fosse muito boa, eles se surpreenderam com a receptividade positiva, inclusive por parte de quem não é vegano nem vegetariano. Segundo a PAL, reflexo de um trabalho que desde o início envolvia a oferta de alimentos frescos da cozinha palestina, que já possui muitos pratos sem ingredientes de origem animal, e outros que não são difíceis de “veganizar”.

Entre as opções oferecidas pelo chef Anan e sua equipe estavam homus, feijões, sopas, folhas de videira recheadas, falafel e maqluba – a paella palestina. Ou seja, alguns dos alimentos mais tradicionais da culinária árabe. Muitos dos estudantes que passaram pelo Sudfeh pelo menos uma vez acabaram retornando.

A Ligação Animal Palestina investiu o equivalente a pouco mais de R$ 38 mil, e o dinheiro foi arrecadado por meio de doações de 200 pessoas e organizações, incluindo a The Vegan Society, da Inglaterra, via projeto de financiamento coletivo. O nome Sudfeh faz referência à sorte, esperança e à satisfação de estar no local certo no momento certo.

Além de administrar o restaurante que oferecia opções para mais de 13 mil estudantes na Universidade Al Quds, a PAL é uma organização sem fins lucrativos que promove os direitos animais e o veganismo. Os lucros do restaurante sempre foram destinados a financiar projetos de proteção animal e bolsas de estudos para estudantes de baixa renda. Agora a Liga Animal Palestina se prepara para reabrir o restaurante em Ramallah, a 15 quilômetros de Jerusalém.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

4 semanas ago

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal?

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal? Há…

1 mês ago

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos?

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos? Em 2024, o Brasil bateu…

1 mês ago

O consumo humano transforma animais em prisioneiros de seus próprios corpos

A prisão é o corpo: além do matadouro O consumo humano transforma animais em prisioneiros…

2 meses ago

Animais, pela ética do amor ou do cuidado?

Amor ou justiça: por que a ética do cuidado é mais eficaz A premissa de…

2 meses ago

Por que não é uma boa ideia usar o termo “feito de plantas”

Pode parecer coerente usar o termo “feito de plantas” em relação a alimentos ou pratos…

2 meses ago