Ela leu sobre a Ilha Macquarie [a 1450 quilômetros da Austrália]. No século XIX, era o centro da indústria de pinguins. Centenas de milhares de pinguins eram abatidos ali com pauladas e jogados em caldeiras de vapor de aço fundido para ser separados em óleo útil e resíduo inútil. Ou nem abatidos com uma paulada, mas meramente tocado com varetas por uma prancha, direto para a boca do caldeirão fumarento.
E os seus descendentes do século XX parecem não ter aprendido nada. Ainda saem nadando inocentemente para dar boas-vindas aos visitantes; ainda gritam saudações quando se aproximam dos viveiros. (Ho! Ho! dizem, pois todo mundo gosta de pequenos gnomos rústicos) e permitem que os visitantes se aproximem para tocá-los, para acariciar seu peito liso.
Páginas 63-64 de “Elizabeth Costello”, do escritor sul-africano J.M. Coetzee, publicado em 2003. A obra é a segunda de Coetzee que traz como protagonista a professora e conferencista vegetariana Elizabeth Costello, que advoga os direitos animais.
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