Um estudo publicado este mês na revista científica “Biology Letters” chama atenção para o grave declínio das populações de insetos aquáticos na bacia do Rio Paraná. Além disso, associa essa redução à construção de mais de 130 barragens ao longo do rio e de seus afluentes nas últimas décadas.
Embora ainda não seja cultural o reconhecimento da importância dos insetos no mundo, eles são essenciais ao ecossistema, desempenhando também papel determinante na polinização de plantações e controle de pragas.
Um dos autores do estudo, o pesquisador Liam M. Nash, da Universidade Queen Mary, de Londres, declarou que, embora as regiões tropicais e subtropicais abriguem cerca de 85% dos insetos da Terra, o que está acontecendo nessas regiões é pouco estudado.
“O que descobrimos foram declínios generalizados do número de insetos em todos os grupos aquáticos examinados, incluindo mosquitos, efeminadas e libélulas. A queda ocorreu em canais, lagos, rios e remansos em um dos maiores sistemas de água doce da América do Sul, a bacia do Rio Paraná”, informa Nash.
“Paralelamente, descobrimos que o número de peixes invasores aumentou e a química da água tornou-se mais desequilibrada – todas essas mudanças ambientais estão ligadas à construção de barragens.”
O pesquisador explica que as barragens bloqueiam o fluxo de sedimentos e nutrientes e alteram a química da água, deixando-a mais transparente.
“Como a maioria dos insetos aquáticos é escura ou mosqueada para se camuflar em águas turvas, o aumento da transparência da água enfraquece a capacidade de se esconder, tornando-os mais vulneráveis aos peixes invasores.”
Nash, que é PhD em ecologia, destaca que as regiões de água doce estão entre os ecossistemas mais ameaçados do mundo e demandam esforços globais de conservação.
“Cerca de 70% da eletricidade do Brasil vem de energia hidrelétrica, e barragens hidrelétricas serão essenciais na transição para longe dos combustíveis fósseis. No entanto, o represamento pode ter graves impactos ambientais e sociais. Nosso estudo mostra que as consequências negativas das barragens podem ocorrer muito tempo depois que as florestas foram inundadas e as comunidades locais deslocadas.”
Liam M. Nash também cita a Hidrelétrica de Itaipu, segunda maior do mundo, como um exemplo do impacto humano na natureza, já que o fim das Sete Quedas atraiu muitos peixes invasores para a região, e muitos deles são predadores de insetos que desempenham importante papel nesse ecossistema.
“Os insetos são o grupo de animais mais numeroso do planeta. Existem cerca de 5,5 milhões de espécies, 80% das quais ainda não foram descobertas. No entanto, os insetos estão experimentando declínios acentuados e generalizados no mundo todo. As consequências potenciais de seu declínio são tão terríveis que esse fenômeno tem sido chamado de ‘apocalipse dos insetos’.”
Clique aqui para ter acesso ao estudo “Pervasive decline of subtropical aquatic insects over 20 years driven by water transparency, non-native fish and stoichiometric imbalance”.
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