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Por que há animais criados para consumo que são deixados para morrer?

Foto: Stefano Belacchi/We Animals

Por que há animais criados para consumo que são deixados para morrer? Abandonados no pasto, mantidos confinados sem ração ou descartados ainda vivos em algum ambiente distante dos olhos dos consumidores.

Acredito que todos nós podemos pensar em exemplos recentes dessa realidade, mas esses exemplos que chegam até nós, por que chegam e como chegam?

Porque há denúncia e repercussão que fogem ao senso comum, ainda que sejam percebidas principalmente pelo senso comum se os olhos voltam-se à “peculiarização”, à ideia de “apenas uma situação”, não o que “estrutura a situação”.

Então podem definir como maldade a realidade de um animal avaliada como “específica”, “rara”. E a entendem ou julgam entender como retrato do “sofrimento uno”, baseado em uma “experiência incomum”. Mas sem essa dor que não é sua miséria, e sim uma das extensões dela, o que se vê é uma verdade dentro de uma inverdade.

Isso porque o incômodo humano é sobre uma representação assimilada como desconectada de um contexto que não pode ser reduzido a um espaço, porque não é sobre um espaço, e sim sobre um sistema de consumo.

Devemos nos perguntar de onde vêm as motivações para determinadas situações que qualificamos como “extremas” que são impostas aos animais.

A percepção de “eventualidade” ou “casualidade” em relação às extensões da miséria de um animal não humano é reducionista porque é sobre olhá-lo sem ponderar sobre a construção de sua presença e tudo que a envolve como resultado da perpetuação da forçada subordinação não humana.

O especismo pode permitir um olhar reprovável sobre uma realidade não humana, mas não sobre as bases dessa realidade. Então os questionamentos pairam na superfície e tendem a não ir além de percepções que veem a má experiência do outro, não humano, como exceção, e assim persiste em não estimular uma substancial transformação.

Podemos considerar também que há casos de animais deixados para morrer que não conhecemos. Será que ao nosso conhecimento chegam a minoria ou a maioria? Uma reflexão que prefiro situar a partir do entendimento de que animais criados para uso/consumo são sujeitos irreconhecidos.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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  • O ser humano deveria ser extinto do mapa. Simplosmente isso.
    Pq eles n deixam os animais em paz matam por prazer,judiam por prazer.
    Os animais são poroso ser humano é sujo.

    • Tbm penso assim... essas tristezas que fazem aos nossos irmãozinhos, os ANIMAIS, me fazem perder a esperança de bondade, aprimoramento e amor no "ser" que se diz: HUMANO!!! É chocante e inadmissível tratamento assim à esses anjinhos de quatro patas tão inofensivos e tão indefesos que vivem neste planeta conosco... triste demais!!😔🐖🐷

  • Quando olhei para a imagem, senti uma profunda dor no coração, meu Jesus! Isso reflete a crueldade do ser humano, que o Senhor tenha misericórdia de nós.

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