A cantora e compositora vegana Jully está lançando neste Dia das Crianças (12) um single sobre a exploração de crianças de outras espécies. “Stolen babies”, segundo Jully, é um pedido de socorro para que possamos olhar o bebê das fêmeas de outras espécies com mais empatia e respeito. Acompanhada de um clipe disponível no YouTube e que potencializa a imagem, a música está sendo divulgada com um texto da filósofa Sônia T. Felipe – “Stolen babies – Sobre o terror e a ternura de nascer”. Leia logo abaixo:
Há uma voz, sem palavras, um som produzido pelo corpo, uma vibração que, para os animais formatados em culturas palavreadas, passa despercebida. O que por primeiro nos ensinam é a desaperceber as mensagens corporais. Seguimos no campo repleto de vibrações emitidas pelos corpos dos outros. Mas delas não tomamos ciência.
O primeiro som emitido por uma mãe para seus filhos vem muito antes de eles terem nascido. As aves “conversam” com os ovos que estão mantendo em temperatura ideal para promover o embrião e o feto ali dentro. As fêmeas mamíferas “conversam” com os embriões e fetos guardados em seus úteros. Não é por menos que os bebês reconhecem suas mães assim que nascem. Sons são vibrações. Há muito que eles aprenderam a ouvir os sons dos corpos delas.
Ao nascer, o primeiro som, o grito de pavor, vem do bebê humano. Nascer é uma experiência pavorosa. Não é possível entrar na vida senciente com autonomia sem que se tenha rompido o cordão umbilical que une mãe e bebê. Nascer é o primeiro ato de liberdade animal. Seu preço é alto: o risco de morrer de fome, de frio, ou de medo.
Fome, frio e medo são três sensações básicas de orientação para a vida no espectro senciente. Cada animal as tem ao modo possível à sua espécie e a seu modo singular. Quem por primeiro está no campo e dá resposta protetiva às três emoções básicas da vida é a mãe. Afinal, foi seu calor, foram seus nutrientes e foi a sua proteção contra ameaças ambientais predatórias que promoveram a vida em seu estágio gestacional.
Quem está apta a decifrar a mensagem sem palavras da fome, do frio e do medo, do bebê, a não ser sua mãe? O cuidado da mãe ensina a ele como se cuidar e como preservar-se vivo. Nada disso ocorre quando o bebê é extraído à força do campo no qual sua mãe o protege e nutre, o campo amoroso. Nós não ouvimos seus gritos de pavor. Suas mães os ouvem ternamente. Emprestando sua voz aos bebês não humanos, Jully, no clipe “Stolen babies”, que vai ser lançado à zero hora do dia 12 de outubro, pelo Youtube, no canal jullymusik, ajuda-nos a aprender como ouvi-los.
A música está disponível em: tratore.ffm.to/stolenbabies
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