É estranho como animais tão jovens de espécies subjugadas não são vistos como crianças. Quando criados para consumo, é como se não tivessem idade, ainda que exista um tempo pré-determinado para matá-los.
Se é sobre vida, a idade não existe. Se é sobre morte, a referência ao tempo de vida é como se fosse outra coisa que não idade. Pode-se falar em dias, semanas e primeiros meses. Ainda assim haverá uma percepção predominante de não associação com uma infância não humana.
Isso ocorre porque há uma crença supremacista de que não devemos reconhecer o ciclo de vida desses animais a partir de uma percepção que não seja de nascer para ser submetido e consumido.
O tempo de vida então é um tempo de não vida, porque o tempo considerado é o tempo de matá-los. A maneira como são criados, as condições em que vivem, nada disso condiz com o reconhecimento desses animais como crianças, não importando se nasceram ontem ou há alguns dias.
Avaliam forma, tamanho, peso e já antecipam o fim a partir de um tempo estimado. Ou matam logo após o nascimento se não for lucrativo, se a vida for entendida como nada mais do que custo ou prejuízo.
Esse nascer é sempre um arbitrário preparar para morrer. Se é pequeno, já imaginam como dará bom produto. E o tempo nunca é mais importante que a balança, que também prevalece sobre a idade.
Animais criados para consumo podem manifestar características de crianças, e porque também são crianças, porém não são vistos como crianças, porque se fossem teríamos de reconhecer que exploramos e matamos crianças.
Quantas estão nascendo e morrendo neste momento para a violência do consumo?
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