As paredes do box de um matadouro podem fazer um bovino parecer pequeno, como se tivesse encolhido. Mas a única coisa que o encolhe é a vontade humana.
O espaço em que é vitimado é feito de vontades. As paredes são feitas de vontade, assim como o piso, o cheiro, resíduos e instrumentos.
A boca espumando, o olhar esgazeado, o redemoinho de pelos entre os chifres, o número no lombo, os pés parados porque não podem ir além. Tudo sobre vontade.
Se reage é reação a essa vontade e se não reage também. Tudo que fará ou não fará não foge ao contexto que é feito de vontade. É uma vontade que suprime outra, que a escraviza, a banaliza.
Uma vontade engole outra antes de um corpo ser engolido por outro, porque é essa vontade que determina essa realidade. Há sempre um corpo não humano parado porque foi impossibilitado.
As paredes tão próximas e o animal no meio, como recheio. A pressão sobre o corpo é vontade de ausência de vida, de pele, de chifres, de narinas, de boca, de olhos e mais.
O abate é uma vontade, sempre é, e nunca uma. É também desfiguração, destruição. A vontade é sobre a carne.
Também é sobre a rejeição do corpo. Querem partes, pensam em partes, falam de partes. Mas o que constitui essas partes?
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