Hugo testemunhou o pai matando uma galinha no quintal. Nunca tinha visto aquele animal com vida. Achava que galinhas já nasciam mortas. Chorou quando viu a pequena ceder com o pescoço destroncado. O pai olhou para o menino. Não disse nada. Entrou em casa e pediu para que a esposa limpasse a galinha e preparasse o jantar.
Hugo correu até o quintal, juntou as penas da galinha que voaram pelo chão de terra e as guardou dentro do bolso. Enquanto a mãe temperava a galinha, o menino tomou coragem e se aproximou.
— Por que o pai matou a galinha?
— Pra gente comer, filho.
— Mas ela queria morrer?
Silêncio.
— A vida é assim, Hugo.
— Por quê?
Silêncio.
— Depois a gente conversa. Agora preciso fazer a janta.
Hugo entrou no quarto. Ficou lá mais de hora e retornou. Desenhou uma galinha, tirou as penas do bolso e as colou na ave tristonha. Depois foi até a cozinha e entregou o desenho para a mãe.
— Olhe, mãe, eu disse que ela não queria morrer.
A mulher observou a expressão lacrimosa do animal. As lágrimas da mãe desceram junto com as lágrimas da galinha, pinguinhos escuros de lápis.
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