Categorias: Opinião

Por que questões que importam sobre os animais continuam sendo tão negligenciadas?

Foto: MPPI

Por que questões que importam sobre os animais continuam sendo tão negligenciadas? E até mesmo pioradas em alguns aspectos.

É inegável que há mais pessoas tornando-se veganas no Brasil, por exemplo, assim como está ocorrendo em muitos outros países. Por outro lado, nem por isso a situação atual pode ser classificada como tão alentadora.

Não há como negar que há forças envolvidas nesse meio de perpetuação da exploração animal que tentam fazer o possível, e fazem, para combater qualquer tentativa de mudança mais significativa em relação ao estado atual das coisas – o que é comum à manutenção hegemônica.

Basta analisarmos a realidade política institucionalizada, por exemplo, já que estão sempre surgindo projetos prejudiciais aos animais no Congresso Nacional e principalmente na Câmara.

E por que campanhas e petições, mesmo quando bem-sucedidas, dão a impressão de que recebem menos apoio do que deveriam? Porque é o que recebem. Podemos culpar o desinteresse das pessoas, deficiência na divulgação, etc.

Porém não consigo dissociar essa realidade de dois pontos básicos que são imprescindíveis para uma transformação substancial – conscientização e educação.

Qualquer iniciativa em defesa dos animais, bem-sucedida ou não, ainda carece de apoio, e o apoio depende de uma dimensão de compreensão das pessoas que permita um outro olhar sobre a nossa relação com os animais, um “deslocamento de nosso lugar”, porque com esse mesmo olhar o que predomina é a apatia.

Apoio demanda consubstanciação de reconhecimento de valores e compartilhamento de convergências. Se não temos muitas pessoas apoiando iniciativas que julgamos tão importantes é porque elas não as reconhecem como importantes.

É conclusão inequívoca, e infelizmente só quando não apenas entendemos algo como nocivo, mas nocivo o suficiente para fazermos algo, é que nos estabelecemos como um fluxo progressivo de resistência. Mas como essa resistência pode ser transformadora sem estimular uma nova percepção no maior número possível de pessoas?

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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