Opinião

O assassinato da porca selvagem e a moralidade

Quem impõe algo são os seres humanos ao decidirem quando e como as outras espécies devem nos servir (Foto: Getty)

Uma moça compartilhou com seus seguidores uma imagem de duas garotas felizes depois de matarem uma porca selvagem. Uma delas comemorava segurando o filhote da porca também morto. A intenção da autora da publicação foi conscientizar as pessoas sobre o quão absurda é a violência contra os animais – e mais ainda quando alguém celebra o barbarismo, a ferocidade, como se fosse algo benevolente.

Um homem, incomodado, disse que não havia nada de errado nisso e que a moça que criticou o ato e que é vegana estava simplesmente tentando “impor a sua dieta” aos outros, e que isso é uma questão de opção. Não existe “opção” quando você mata um ser senciente que não deu o seu aval para morrer.

E pior ainda, quando motivado por um mórbido prazer. Schopenhauer já defendia, primordialmente em seu livro “O Mundo Como Vontade e Representação”, publicado em 1818, e não por acaso considerado uma das obras mais influentes da filosofia do século 19, que a moralidade conveniente ao ser humano não é moralidade.

A moralidade genuína depende de você observar não somente a si mesmo e as conveniências que envolvem os seus. Inclusive é por isso que o veganismo, que prevê a rejeição à exploração animal, é um imperativo moral sob a perspectiva da imprescindibilidade e da incontestabilidade, não da imposição ou arbitrariedade. Até porque quem impõe algo são os seres humanos ao decidirem quando e como as outras espécies devem nos servir – inclusive como vil entretenimento.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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