Categorias: Notícias

Pesquisa afirma que porcas podem sofrer de síndrome pós-parto

Quando os leitões são afastados das porcas precocemente, a situação se agrava ainda mais (Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals)

Ao contrário do que muitos pensam, não são apenas as mulheres que correm o risco de sofrer de síndrome pós-parto. A verdade é que as porcas também, e com o mesmo nível de intensidade experimentado pelas mulheres, segundo o estudo “Parallels between Postpartum Disorders in Humans and Preweaning Piglet Mortality in Sows”, publicado recentemente pela Universidade do Texas.

A pesquisa, disponível no banco de dados da organização Suíça MDPI, revela que porcas criadas para consumo estão sujeitas aos mesmos tipos de transtornos psicológicos e depressão sofridos pelas mulheres. Normalmente o que favorece a síndrome nas porcas é a condição em que vivem aliada às alterações hormonais quando estão prestes a dar à luz.

E o que pode intensificar esse quadro é a incomunicabilidade diante da realidade em que vivem, já que a incapacidade de verbalização das insatisfações acaba por amplificar o sofrimento desses animais. Quando os leitões são afastados das porcas precocemente, a situação se agrava ainda mais. Até porque muitas porcas vivem a maior parte da vida em confinamento, e como são seres sociais, ficam impossibilitadas de reagirem de acordo com a própria natureza.

Segundo pesquisa da organização Proteção Animal Mundial, o quadro de síndrome pós-parto é esperado considerando que três em cada quatro porcas vivem em gaiolas do tamanho de uma geladeira convencional.

“Os níveis de hormônios do estresse constatado em porcas que não podem corresponder ao seu instinto natural, e não têm com o quê construir seus ninhos, são muito mais elevados do que em porcas que recebem espaço e materiais para aninhar”, argumenta a organização.

O que revela claramente que os suínos vivem uma realidade avessa à sua natureza é o fato de que os leitões, que na natureza mamam por até 17 semanas, são separados das porcas com apenas três semanas, tempo considerado pela indústria como ideal para o abate dos jovens leitões – em idade equivalente a de uma criança.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

4 semanas ago

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal?

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal? Há…

1 mês ago

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos?

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos? Em 2024, o Brasil bateu…

1 mês ago

O consumo humano transforma animais em prisioneiros de seus próprios corpos

A prisão é o corpo: além do matadouro O consumo humano transforma animais em prisioneiros…

2 meses ago

Animais, pela ética do amor ou do cuidado?

Amor ou justiça: por que a ética do cuidado é mais eficaz A premissa de…

2 meses ago

Por que não é uma boa ideia usar o termo “feito de plantas”

Pode parecer coerente usar o termo “feito de plantas” em relação a alimentos ou pratos…

2 meses ago