Notícias

Projeto visa tornar cadeia global de cacau mais sustentável

Cacau certificado por boas práticas compreende 13,6% do suprimento mundial (Foto: Rainforest Alliance)

Você sabia que, em geral, menos de 7% do preço da sua barra de chocolate é destinado aos produtores de cacau? Ou que grandes quantidades da produção global de cacau estão associadas ao desmatamento ilegal e à perda de biodiversidade?

Visando diminuir essa desigualdade e tornar a indústria do cacau mais ecológica e sustentável, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e seus parceiros estão trabalhando em projetos como o “Greening the Cocoa Industry” desde 2013 – iniciativa financiada pelo Global Environment Facility.

Projeto defende mais renda aos produtores

O objetivo do projeto, que abrange o Brasil, Costa do Marfim, República Dominicana, Equador, Gana, Guiné, Indonésia, Nigéria, Madagascar, Papua Nova Guiné e Peru, é mudar as práticas de produção e de comércio nesses principais países produtores de cacau e nas empresas de chocolate.

Além de garantir mais renda aos produtores aos produtores, o “Greening the Cocoa Industry” também promete ampliar a conservação da biodiversidade – diminuindo a superexploração e potencializando provisão de maior estabilidade a longo prazo a todos os participantes da cadeia de valor.

Globalmente, o projeto cobre pelo menos 10% da produção mundial de cacau – 350 mil toneladas, cultivadas em 750 mil hectares por 250 mil agricultores.

Segundo o chefe da Unidade de Biodiversidade e Degradação de Terras do Fundo Mundial para o Meio Ambiente do PNUMA, Johan Robinson, o objetivo geral do projeto de vincular a sustentabilidade do cultivo do cacau à conservação de áreas chave (hotspots) de biodiversidade tem um grande potencial de expansão.

Cacau certificado por boas práticas compreende 13,6% do suprimento mundial 

As vendas de cacau certificado pela Rainforest Alliance agora representam 5% das vendas globais. No entanto, o Pnuma destaca que é importante pontuar que uma quantidade muito maior de cacau está sendo produzida de maneira sustentável do que aquela sendo vendida com a certificação da Rainforest Alliance.

O programa de cacau da SAN/Rainforest Alliance registrou um crescimento significativo nos últimos cinco anos, sendo que cerca de um milhão de hectares de terras agrícolas de cacau em 15 países conseguiram a certificação da SAN/Rainforest Alliance em 2016.

O cacau certificado pelas duas iniciativas agora compreende 13,6% do suprimento mundial de cacau, com um aumento cada vez maior na demanda dos grandes compradores de cacau para obter cacau sustentável.

A fim de conscientizar sobre o tema, a Rainforest Alliance, em colaboração com a World Cocoa Foundation, criou manuais para facilitar a produção de cacau com baixa emissão de carbono e apoiar a resiliência climática a longo prazo.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

O bezerro no prato e o som de tripa de carneiro

Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…

1 semana ago

O abate que (quase todos) ignoram

No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…

2 semanas ago

Uma reflexão sobre a violência por trás do leite

No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…

3 semanas ago

Por que ser cruel com os animais?

Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…

4 semanas ago

Ser vegano “é coisa de mulher”?

Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…

1 mês ago

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

2 meses ago