Categorias: Opinião

Quantas invenções foram criadas para subjugar animais?

Quantos mecanismos, plataformas e instrumentos foram desenvolvidos pelo ser humano para subjugar outras espécies? Não acho necessário pensar em números, mas “somente” em como essa consideração pode remeter-nos a uma assombrosa multiplicidade.

Podemos fazer um exercício de associação com tudo que vimos ou conhecemos e que seja utilizado para controlar, explorar e matar animais. O que serve o antes, o durante e o depois?

E a cada dia que passa o número de mecanismos, plataformas e instrumentos aumenta. O exercício de violência torna-se mais diverso, ganha outras camuflagens.

Vivemos em um mundo de confluência de velhas e novas práticas de violência, que hibridam-se pela manutenção do supremacismo humano, que constrói e reconstrói dissimulações e retóricas enganosas e danosas.

Quantos animais não humanos são silenciados o tempo todo? As plataformas e os instrumentos ratificam que suas construções, suas presenças, são essenciais à exploração animal, porque servem não “somente” às praticabilidades, mas também às desejadas inverdades que endossam sua perpetuidade.

Neste momento, que tipo de mecanismo ou instrumento está sendo desenvolvido para somar-se à prevalência da subordinação forçada não humana? Para privar animais da capacidade de serem animais.

E, como sempre, a institucionalização e seu endosso maioritário permitirão que seja visto como outro algo a ser normalizado, que vem a somar na chamada “produção animal”, que nunca deixa de ser um eufemismo capcioso.

É importante refletir sobre tudo que o poder humano constrói, valendo-se de uma conjunção de racionalidade e recursos, como meio de assegurar a eficiência de um “mal útil” causado aos animais – ainda que o “útil” não tenha caráter de essencialidade.

Ademais, se essas idealizações ganham forma e usualidade, por que isso ocorre? Quem financia? Quem anui? Quem não objeta? E podemos compreender também que o conceito de eficiência é também o conceito de celeridade da descaracterização não humana, porque sua efetivação é a intensificação do ato de subjugar, de espoliar para minorar e matar.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

3 semanas ago

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal?

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal? Há…

1 mês ago

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos?

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos? Em 2024, o Brasil bateu…

1 mês ago

O consumo humano transforma animais em prisioneiros de seus próprios corpos

A prisão é o corpo: além do matadouro O consumo humano transforma animais em prisioneiros…

2 meses ago

Animais, pela ética do amor ou do cuidado?

Amor ou justiça: por que a ética do cuidado é mais eficaz A premissa de…

2 meses ago

Por que não é uma boa ideia usar o termo “feito de plantas”

Pode parecer coerente usar o termo “feito de plantas” em relação a alimentos ou pratos…

2 meses ago