O número de queimadas registrado na Amazônia em junho é o mais alto para o mês desde 2007, apontou ontem (1) o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Foram 2.308 focos de incêndio, um aumento de 2,7% em relação a junho de 2020 e de 22,8% na comparação com o mesmo período de 2019. A temporada de fogo está só começando — o período crítico no bioma ocorre de julho a outubro.
O alerta do Inpe coincide com mais uma troca de comando no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), dessa vez no Prevfogo, principal centro de combate a incêndios do governo federal.
O Diário Oficial da União de ontem trouxe a exoneração do chefe da área, Ricardo Vianna Barreto, e a nomeação de outro bombeiro do Distrito Federal, Paulo César Nery. Segundo relatos de servidores, Nery não tem experiência com incêndios florestais, conforme divulgado pelo Observatório do Clima.
A mudança ocorre no momento em que as brigadas já deveriam estar em campo, treinadas e com equipamentos, para evitar que se repitam tragédias como a de 2020, quando os incêndios destruíram mais de um quarto (26%) do Pantanal.
“Na Amazônia, fogo e desmatamento andam de mãos dadas. Para combatê-los, é necessário muito empenho, ações estratégicas e repressão ao crime”, diz Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima.
Segundo a entidade, a estratégia apresentada pelo governo mantém a linha de fracasso adotada para enfrentar queimadas e desmatamento nos últimos dois anos. Na última segunda (28/6), foi anunciado o retorno de militares à Amazônia por dois meses. De acordo com o decreto assinado pelo presidente, as tropas deixarão a região antes do auge das queimadas, que costuma ocorrer em setembro.
Uma análise de pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e do Woodwell Climate Research Center, divulgada na quarta-feira (30), mostrou que a soma de áreas desmatadas e ainda não queimadas desde 2019 junto com a seca intensa provocada pelo fenômeno La Niña exigem atenção especialmente na porção sul da região amazônica.
O Centro-Sul do país também enfrenta a pior seca em 91 anos, o que causa baixa nos reservatórios. Em maio, os alertas de desmatamento foram os mais altos já registrados para o mês, com 1.391 Km2 de devastação.
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