Um relatório intitulado “Food & Pandemics Report”, produzido pela organização ProVeg International, aponta relação entre a criação intensiva de animais e o risco de pandemias, somando-se a outros que também já alertavam sobre o perigo.
A publicação, que tem o endosso do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), defende que são necessárias mudanças urgentes no sistema alimentar global para prevenir surtos de doenças zoonóticas.
O relatório cita que 75% de todas as doenças infecciosas emergentes foram transmitidas de animais não humanos para humanos, e que confinar animais para fins de consumo não ajuda a diminuir o risco de aumento de doenças zoonóticas, muito pelo contrário.
E o que também contribui muito para esse cenário, como já observado antes pela ONU, FMI e pela primatologista Jane Goodall, são fatores como destruição de espaços naturais e perda de biodiversidade, favorecidos pelo desmatamento promovido principalmente pela agropecuária, assim como o comércio e consumo de animais silvestres.
No entanto, embora haja comum associação de doenças emergentes como a covid-19 com o consumo de animais silvestres, a publicação lembra que tem sido cada vez mais comum patógenos saltarem desses animais para aqueles criados para consumo no contexto da agropecuária. Exemplos mais conhecidos são a gripe aviária e gripe suína.
Segundo o diretor internacional da ProVeg, Jens Tuider, a “receita para o desastre é surpreendentemente simples”. “Um animal, uma mutação, um humano e um único ponto de contato. Ainda não sabemos toda a história sobre o surgimento da covid-19, mas não há incertezas em relação à gripe suína e gripe aviária: esses vírus evoluíram em granjas industriais, onde as condições são perfeitas para a evolução e transmissão de vírus, assim como para o desenvolvimento de resistência antimicrobiana”, destaca.
Com base no relatório, Tuider frisa que a criação intensiva de animais propicia um cenário perfeito para futuras pandemias. E conclui que há muitas razões para não continuarmos nesse caminho – o que inclui bem-estar animal, meio ambiente e combate à resistência antimicrobiana, favorecida pelo uso excessivo de antibióticos na pecuária.
“Mitigar o risco da próxima pandemia, que poderia ter um impacto ainda mais devastador do que a covid-19, é talvez a razão mais persuasiva de todas. A ciência claramente apoia isso, mas há vontade política suficiente?”
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O relatório também aborda o impacto da covid-19 sobre funcionários de matadouros.
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Se a raça humana não estivesse tão atrasada no cronograma da evolução das espécies, dispensaria as comprovações científicas atestado que animais confinados para o abate geram zoonoses. A motivação deveria vir da consciência e do coração de cada ser humano, inclinado por índole e compaixao, a não mata-los. Consumidores contumazes e vorazes de carne animal ainda continuarão se nutrindo de cadáveres, porque, viciados neles não largam osso nem por um decreto e, ainda que tenham que pagar multa, não desmarcam o churrasco de domingo, tão sagrado pra eles quanto a missa, Deus me perdoe.