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Relatório revela quais redes de fast-food mais financiam crueldade contra frangos

(Foto:; Andrew Skowron)

Não deveria ser novidade para ninguém que o sistema intensivo em que são criados muitos animais com fins de consumo também é o que é hoje graças à contribuição das grandes redes de fast-food.

Afinal, foi com o “boom do fast-food”, aliado a um grande aumento da demanda global por produtos de origem animal, que também se tornou mais comum criar animais em um novo regime de confinamento, envolvendo muito mais privação que precede a morte.

Agora, estamos perto de terminar 2020, e mesmo empresas com um longo histórico de alegação de suposta preocupação com o “bem-estar animal” deixam claro mais uma vez que essa nunca foi realmente uma preocupação, e que, portanto, o melhor caminho é não se alimentar de animais.

Redes com piores pontuações

Um exemplo que reforça isso é um relatório divulgado este mês pela organização Proteção Animal Mundial, apontando que das grandes cadeias de fast-food, Habib’s, Domino’s, Pizza Hut, Burger King, Nando’s e McDonald’s obtiveram as piores pontuações em relação às suas cadeias de fornecimento de frango. Ou seja, são as que mais financiam a crueldade contra esses animais.

No relatório “Botando Ordem no Galinheiro 2020”, a Proteção Animal Mundial destaca que a carne adquirida por essas empresas é proveniente de animais submetidos à superlotação, mantidos em galpões abarrotados com dezenas de milhares de frangos, e que passam a maior parte de suas vidas sentados ou deitados sobre os próprios dejetos.

Espaço menor que uma folha de papel A4

“Muitos têm de viver em um espaço menor do que uma folha de papel A4”, cita a organização e acrescenta que não há espaço para se empoleirar, abrir, as asas, explorar ou tomar banho de areia.

“A alta lotação umedece e sobre camadas de fezes e material orgânico úmido e rico em amônia, as aves passam a ter queimaduras, erupções cutâneas e problemas nos pulmões e olhos.”

Além do fast-food

Além disso, viver em superlotação gera problemas de locomoção, doenças de pele e favorece um comportamento agressivo.

Outros problemas incluem desenvolvimento precoce para atender essas cadeias, já que os frangos são abatidos com apenas 40 dias.

Esta, segundo a organização, é a realidade que se estende a pelo menos 40 bilhões de frangos por ano e, claro, não inclui apenas redes de fast-food.

Clique aqui para ler ou baixar o relatório completo.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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