A distância me garante segurança, mas não sou mais forte que a intemperança. A fome me engana, ludibria, me esgana. Mordo na inocência, sufoco na displicência. Constrição, dilatação, sou peixe asfixiado à mão da ilusão. Consciência ainda tenho. Mas cortam-me o cenho. Gente feliz observa o lume do verniz. Cheiro de azeite, a morte é um deleite?
Vivo e consciente. Quero morrer. Só tenho cabeça. Movo-me por dentro, não por fora, arrastando agora o minuto que aflora. Não tem fim. A faca de um lado para o outro. De repente, perfume de alecrim, ou seria jasmim? Difícil diferenciar o que a morte permite desconcertar. Se quero morrer? Sobreviver? Mesmo que seja só ver. Toca-me a lâmina fria. Assimetria. Posso pedir?
Lance minha cabeça à água que esfria. Mergulho no molho vermelho. Me choco contra uma batata, ou seria fragata reluzindo no espelho? Comem-me os pedaços com regalo. Que assim seja, catarata, cascata, violência, zaragata. Morro de calor, sol de baixo, destemor. A vida desaparece, esfacelada em sabor e desamor, porque a morte recolhe o que a vida não acolhe.
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Apesar de vc ter me bloqueado continuo admirando e compartilhando suas matérias.☺ Só sinto falta das referências, principalmente quando o assunto é de outro país ou histórico.