Todo dia o menino via a chegada das maritacas. Encostava no muro e ficava quietinho observando a aproximação.
Também gostava de ver as pombinhas, os pardais, os bem-te-vis, os beija-flores e todos os animais de asas que, por algum motivo, visitavam sua casa.
Não tentava interagir. Só queria vê-los e ficava feliz com isso. Iam de um lado para outro e partiam, e cada chegada era uma primeira vez, porque percebia que nunca era igual. “Então é primeira vez sempre”, repetia.
Um dia uma pombinha caiu morta no quintal e ele a viu bem de perto. Observou suas asas, sua cabeça, seus olhos que não miravam nada e seu corpo sem vida. Os pezinhos apontavam para o céu.
“E ela nunca mais vai atravessar o céu”, disse com tristeza. À noite, durante o jantar, olhou um frango assado sobre a mesa e lembrou-se da pombinha.
“Se eu não como passarinho, por que eu como frango? Frango também tem asa, bico. É porque não voa e não pode fugir?”, perguntou. Ninguém respondeu.
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