Segundo um estudo da Universidade de Bonn, na Alemanha, pelo bem do planeta, os países ricos precisam reduzir o consumo de carne em pelo menos 75%. A publicação sustenta que os países ocidentais, como os EUA e as nações europeias mais ricas, estão sobrecarregando o planeta de maneira desnecessária em consequência do alto consumo de carne.
Vale lembrar que diversos países, incluindo os mais ricos, também financiam o desmatamento no Brasil por meio da importação de carne brasileira e da aquisição de grãos utilizados na pecuária intensiva e que são cultivados em áreas desmatadas do Cerrado e da Amazônia. Ou seja, o impacto ambiental no Brasil também é financiado internacionalmente, não restringindo-se ao consumo interno, até porque o agronegócio nacional tem ampliado suas exportações a cada ano visando maior lucratividade.
Conforme o estudo, na União Europeia, por exemplo, o cidadão médio consome cerca de 80 quilos de carne por ano. “Se todos os humanos consumissem tanta carne quanto europeus ou norte-americanos, certamente perderíamos as metas climáticas internacionais e muitos ecossistemas entrariam em colapso”, diz o autor do estudo Matin Qaim.
Segundo os pesquisadores da Universidade de Bonn, embora seja positiva a redução do consumo de carne em outros países, o impacto ambiental da indústria da carne não é intensificado pelos países mais pobres. Qaim defende que os países mais ricos assumam mais responsabilidades, o que não significa isentar países que tendo condições de preservar suas florestas permitam o oposto ao favorecer uma nociva expansão do agronegócio.
O autor também lamenta que o preço a ser pago pela carne nos países mais ricos não inclui o “custo ambiental” de sua produção, nacional ou internacional. Ele enfatiza que os consumidores precisam ser mais sensíveis ao impacto global de suas decisões.
Uma das discussões hoje na União Europeia, e defendida por Qaim, é a do estabelecimento de um imposto sobre o preço da carne com base em seu impacto ambiental. “É razoável e justo”, avalia.
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