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Senador do Pará é um dos maiores defensores da exportação de gado vivo

O senador, que tem um alinhamento de 94% com o Governo Bolsonaro, segundo o site Congresso em Foco, alega que o fim das exportações de gado vivo faria o Brasil perder “oportunidades” de lucro (Fotos: Marcos Oliveira/Agência Senado/Sandra Regina)

No Congresso, o senador Zequinha Marinho (PL-PA), da base governista e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), é um dos maiores defensores da exportação de gado vivo. Não por acaso, desde o ano passado, é também um dos maiores opositores do Projeto de Lei 3093/2021, que visa proibir esse tipo de exportação.

Só o Pará foi responsável por 83% das exportações de bois vivos em um período de dez anos, superando de longe o segundo e terceiro colocado – Rio Grande do Sul (8,8%) e São Paulo (5%), conforme levantamento da Associação Brasileira dos Exportadores de Gado (Abeg).

Além disso, foi em Barcarena, no Pará, que em 2015 morreram cinco mil bois que estavam no navio Haidar, que tombou no porto da Vila do Conde. O prejuízo ambiental custou ao governo federal, o que significa também ao bolso do contribuinte, cerca de R$ 45 milhões, e ninguém foi responsabilizado pela dolorosa e desesperadora morte desses animais.

O que também não pode ser ignorado em relação à exportação de gado vivo é que após longas viagens em carrocerias até o porto de onde embarcarão para distantes países, os animais são submetidos a viagens que podem ultrapassar até 30 dias – lidando com grandes oscilações de temperatura – frio e calor – para serem abatidos.

Reconhecendo que esses animais podem não resistir à viagem e morrer durante o trajeto, esses navios costumam contar com um triturador para “descarte de gado”. Ainda assim, o senador do Partido Liberal, Zequinha Marinho, rejeita as afirmações de que a exportação de gado vivo é cruel, declarando que “produtores, transportadores e comercializadores de animais vivos prezam pela qualidade de vida dos animais”.

O senador, que tem um alinhamento de 94% com o Governo Bolsonaro, segundo o site Congresso em Foco, alega que o fim das exportações de gado vivo faria o Brasil perder “oportunidades” de lucro com países que preferem comprar animais vivos em vez de carne.

Ou seja, a prioridade do senador é colocar o econômico acima do bem-estar animal e do ambiental, ainda que os benefícios econômicos sejam direcionados a um pequeno grupo que é quem controla e obtém grande lucro com a prática.

Em 2015, por exemplo, o prejuízo ambiental foi custeado com dinheiro público, embora a ação de transporte de gado vivo fosse de responsabilidade de uma empresa privada – Minerva Foods.

Vale lembrar ainda que um relatório do Greenpeace aponta que a Minerva Foods, assim como JBS e Marfrig, comprou milhares de bovinos criados em áreas de desmatamento ilegal na Amazônia.

Saiba Mais

O Pará é líder em desmatamento no Brasil para criação de gado. Com um rebanho de 2,4 milhões de bovinos, duas cidades do estado respondem pelos índices nacionais mais altos de desmatamento – São Félix do Xingu e Altamira.

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David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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