Notícias

Suínos mortos para consumo somam 11,39 milhões no Brasil em três meses

Só no Brasil foram mortos mais de 40 milhões de porcos para consumo no ano passado (Fotos: Coletivo de Ativistas RS)

No próximo dia 12, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deve divulgar o resultado definitivo das Estatísticas da Produção Pecuária no segundo trimestre de 2019.

Mas adianta que nesse período foram mortos 11,39 milhões de suínos no Brasil, o que significa aumento de 5,1% e de 0,7% em relação ao primeiro trimestre deste ano e segundo trimestre de 2018.

Só no Brasil foram mortos mais de 40 milhões de porcos para consumo no ano passado. São dados que chamam a atenção, considerando a capacidade de senciência, consciência e inteligência desses animais. Mais uma prova disso foi divulgada em agosto do ano passado, quando pesquisadores do Instituto de Pesquisas Messerli, vinculado à Universidade de Viena, na Áustria, provaram que os porcos são mais inteligentes do que pensamos.

Segundo o estudo “Pigs (Sus scrofa domesticus) categorize pictures of human heads”, publicado pelo Jornal da Sociedade Internacional de Etologia Aplicada, os suínos não são apenas curiosos e têm boa capacidade de aprendizado, mas possuem uma boa memória de longo prazo. Também conseguem enganar deliberadamente outros porcos e podem antecipar necessidades e intenções.

A pesquisa revelou que porcos conseguem reconhecer diferenças tanto na parte frontal de uma cabeça humana quando na parte posterior. “O experimento mostra que os porcos podem se lembrar de estímulos visuais e responder adequadamente”, informa.

O estudo liderado pelo pesquisador Ludwig Huber foi realizado com dois grupos de suínos e cada animal recebeu fotografias de 16 cabeças humanas. Em vez de simplesmente armazenarem imagens em suas memórias, os porcos usaram também um conceito geral de visão frontal ou posterior.

No teste que compreendeu 80 tarefas, os porcos provaram ter grande capacidade de aprendizado, de uso de recursos bidimensionais na tomada de decisões e de desenvolvimento de novas habilidades de reconhecimento visual. Com exceção da série final de testes, eles foram capazes de identificar mais de 80% das combinações de rostos e parte posterior das cabeças apresentadas em fotos.

Os porcos também mostraram preferências bastante diversas quanto às pistas discriminatórias usadas, o que indica uma abordagem individual muito flexível para resolver tarefas específicas.

Segundo a pesquisa, essas descobertas sugerem que estimular diferentes sentidos, especialmente visuais, constitui um tipo de enriquecimento cognitivo que pode desempenhar um papel importante na melhoria do bem-estar dos suínos domesticados que vivem em sistemas habitacionais.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

3 semanas ago

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal?

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal? Há…

1 mês ago

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos?

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos? Em 2024, o Brasil bateu…

1 mês ago

O consumo humano transforma animais em prisioneiros de seus próprios corpos

A prisão é o corpo: além do matadouro O consumo humano transforma animais em prisioneiros…

2 meses ago

Animais, pela ética do amor ou do cuidado?

Amor ou justiça: por que a ética do cuidado é mais eficaz A premissa de…

2 meses ago

Por que não é uma boa ideia usar o termo “feito de plantas”

Pode parecer coerente usar o termo “feito de plantas” em relação a alimentos ou pratos…

2 meses ago