Opinião

Testes em animais são necessários e eficazes?

É possível ver a expressão de insatisfação de um animal dando sua saúde e vida para que o ser humano e outros animais possam consumir medicamentos e outros produtos (Fotos: Reprodução)

A indústria farmacêutica realiza testes de toxicidade em animais e mais tarde lança no mercado medicamentos que serão usados por animais humanos e não humanos. Ou seja, animais sofrem e são inclusive mortos para que outros animais sejam tratados. Faz pensar, não? Em muitas fotos relacionadas à prática, é possível ver a expressão de insatisfação de um animal dando sua saúde e vida para que o ser humano e outros animais possam consumir medicamentos e outros produtos.

Será que isso realmente é necessário e eficaz? Na realidade, não. Prova disso é um estudo divulgado recentemente por um grupo de análise formado pela Elsevier, maior editora de literatura médica e científica do mundo, e pela Bayer, gigante do ramo farmacêutico. Eles reconheceram que testes em animais podem ser ineficazes. O trabalho, intitulado “A big data approach to the concordance of the toxicity of pharmaceuticals in animals and humans”, que avaliou 1,6 milhão de reações adversas reportadas aos reguladores da União Europeia e dos Estados Unidos, foi publicado no Journal of Regulatory Toxicology and Pharmacology.

Além disso, em 2018 cientistas do Centro de Alternativas aos Testes em Animais da Escola de Saúde Pública Bloomberg, da Universidade John Hopkins, publicaram um artigo no jornal Toxicological Sciences explicando que eles criaram um sistema de mapeamento de relações entre estruturas químicas e propriedades tóxicas para acabar definitivamente com os testes em animais.

Com esse sistema de inteligência artificial, é possível mapear automaticamente as propriedades tóxicas de qualquer composto químico com muito mais precisão do que os testes em animais. Os cientistas conseguiram obter uma precisão média de 87% nos resultados, indo bem além dos resultados obtidos nos testes em animais. Além disso, há outras alternativas como chips baseados em cultura de células e tecido humano. Sendo assim, não seria justo contestarmos esse tipo de prática que impinge sofrimento aos animais?

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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