Boi leva tiro e fica perdido. Boca aberta dá ideia de perdição. Esfrega na parede desgastada, descascada. É como se fosse puxado pra escuridão e tentasse escapar.
Parece que penetra a boca. Medo? Desespero? Olhos estalados, arregalados. Contrai a musculatura e tenta se equilibrar. Cabeça é apoio do resto do corpo que não obedece.
Quantas marcas na parede. Tem cheiro que não é seu. Lava, lava, lava, não desaparece. Uma coleção de arrasto de falecidos que não foram sepultados.
“É só disparo na cabeça, furinho no crânio, pra não sofrer na degola.” Quem quer experimentar? Bicho desvira bicho. Não é o primeiro nem o último do dia .”Só mais um”.
Deixa de ser pra não parecer e vai virando comida antes de morrer. Agoniza. Agoniza. Agoniza. Dizem que é mentira, que não sente nada. Faz barulho estranho, abafado.
Dá impressão que o som é empurrado pra dentro de si e atravessa o que ninguém quer ver, só comer. Sai água das narinas, saliva engrossa, cabeça estremece, patas não firmam.
Resiste em cair. Não quer ceder. Mas, sozinho, o que fazer? Aqui fora já tem gente ansiando, salivando.
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