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UE investe no desenvolvimento de proteínas de origem vegetal

Iniciativa visa minimizar desperdício em indústrias como a de pão (Foto: Getty)

A União Europeia (UE) anunciou este mês investimentos de 10,1 milhões de dólares no desenvolvimento de proteínas de origem vegetal a partir de subprodutos desperdiçados pelas indústrias de cervejas, pães e massas.

O projeto, intitulado Smart Protein, terá duração de pelo menos quatro anos e conta com parceria de 32 empresas – incluindo a cervejaria Anheuser-Busch, indústria de alimentos Barilla e Glanbia e da semi-estatal irlandesa Teagasc. A princípio, serão investidos 11,8 milhões de dólares no total.

A iniciativa será coordenada pela University College Cork (UCC), da Irlanda, e pretende reduzir o desperdício de alimentos reaproveitando principalmente grãos, leveduras e pequenas raízes germinadas de cevada. A escolha de ingredientes de origem vegetal passa pela consideração de que são matérias-primas ideais quando se visa a redução de impacto no meio ambiente.

O projeto será liderado pela pesquisadora sênior da Escola de Ciências Alimentares e Nutricionais da UCC. A expectativa é de que os produtos criados pelo Smart Protein ganhem o mercado em 2025.

De acordo com uma pesquisa da Canada West Foundation (CWF), a demanda global por proteínas de origem vegetal deve chegar a 16 bilhões de dólares nos próximos cinco anos, o que significaria um aumento de 100% se comparado à atualidade.

Vale lembrar também que pesquisadores do Centro de Pesquisas Técnicas da Finlândia (VTT) estão trabalhando no projeto Prominent, que também tem como objetivo extrair novas proteínas de cereais e grãos.

A coordenadora Emilia Norlund explica que a iniciativa visa oferecer alternativas ao consumo de carnes e laticínios. A justificativa, segundo o VTT, é que produzir alimentos de origem animal não é sustentável e hoje há uma crescente necessidade de se criar um sistema alimentar global mais eficiente.

“A pecuária é um grande problema na mudança climática. Então, se pudermos consumir mais alimentos de origem vegetal e não investir tanto em colheitas para a nutrição animal, não há dúvida de que isso beneficiaria todo o planeta. De fato, existem muitos cálculos que mostram que os alimentos vegetais são muito mais sustentáveis ​​quando pensamos sobre as questões ambientais”, argumenta Emilia.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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