Havia um porco na árvore. Ninguém entendia como ele tinha subido tão alto. Estava no topo mastigando castanhas. No chão, a multidão se formava. Surgiu um desafio. Quem tirasse o porco de cima da árvore poderia abatê-lo e comê-lo. Valia tudo, menos atirar no animal ou derrubar a árvore.
Os primeiros começaram, um de cada vez, a escalar a árvore para puxar o porco pelo pé, o forçando a descer. Quanto mais se aproximavam, mais o porco subia – de fato, não cedia. Continuava comendo castanhas, ignorando a multidão que mirava pedaços de bacon, bisteca, ossobuco, maminha e costela.
Outros subiram e o porco se adiantou. Galhos balouçavam e castanhas se soltavam como infinitas. Continuava intocável. Ninguém entendia porque ele apenas se movia – nem gemia, não temia. Horas se passaram e nada de alguém alcançá-lo. A noite chegou e o porco já satisfeito cochilou.
Velas, faroletes e refletores miravam o animal. A luz não incomodava nem a raiva que se alimentava. Estava lá e não estava. A paciência se esvaiu, um trouxe revólver e outro motosserra. “Agora chega. Esse porco vai descer”, esbravejaram. Descarregaram o tambor, e nada de acertar o porco.
Motosserra começou a trabalhar e a árvore a balançar. “Agora vai! Agora vai!” Uns lambiam os beiços e outros salivavam. Só enxergavam o porco que sequer lamentava; diante da morte nem se precipitava. Apenas aguardava. Quando o tronco longo e pesado cedeu, a multidão desapareceu e o porco sem plateia desceu.
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