De acordo com informações da revista New Scientist desta semana, duas décadas após a descoberta de um esqueleto de uma espécie dos primeiros humanos na África do Sul, a primeira grande análise sobre o material encontrado foi divulgada este mês. O esqueleto pertence a um espécime que recebeu o nome de Little Foot (Pé Pequeno), que faz parte de uma espécie pouco conhecida de hominídeo – Australopithecus prometheus.
Segundo o cientista Ronald Clarke, da Universidade de Witwatersrand, de Joanesburgo, e que encontrou a Little Foot em 1994 nas Cavernas de Stekerfontein, o esqueleto pertence a uma fêmea de 3,67 milhões de anos. Em comparação com a espécie A. africanus, a “Little Foot” tem diferenças bem significativas.
“Existem muitas, muitas diferenças, não só no crânio, mas também no resto do esqueleto, incluindo uma face mais plana do que a da [espécie] A. africanus e dentes maiores com um grande espaço entre os caninos superiores e os incisivos. Com base nos dentes, [tudo indica que] ela não comia nada além de plantas”, destaca Clarke, deixando subentendido que Little Foot era vegetariana.
O nome científico A. prometheus foi dado em 1948 pelo pesquisador Raymond Dart em sua categorização de um crânio encontrado no sítio arqueológico de Makapansgat, na África do Sul. Dart é considerado uma figura chave na antropologia porque em 1925 ele descreveu o primeiro espécime de Australopithecus – o Taung Child.
“Ele usou o fóssil para argumentar que os humanos evoluíram na África. Na época, a maioria dos biólogos achava que nossas origens estavam na Ásia, e Dart foi ridicularizado durante anos até que outras descobertas confirmaram que ele estava certo”, informa a New Scientist.
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