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Vídeo mostra novilhos sendo agredidos nos bastidores de rodeio em Morungaba (SP)

Um vídeo divulgado pelo projeto Crueldade Equestre mostra novilhos sendo agredidos nos bastidores do Morungaba Rodeo Fest 2022, realizado em Morungaba (SP). Um laudo de 46 páginas elaborado no mês passado pelas médicas veterinárias Maria Eugenia Carretero e Márcia de Sousa Carvalho já havia comprovado maus-tratos, e que envolve não somente os animais que aparecem no vídeo.

Embora uma liminar proibisse o uso de freios, bridões, esporas, chicotes, gamarras, martingales, hackamores, sedéns, cordas americanas, laços e quaisquer instrumentos que possam causar sofrimento aos animais, a medida foi descumprida pelo prefeito Marco Antônio de Oliveira (PSD), que permitiu a realização do evento que adotou práticas em desconformidade à determinação judicial.

Com isso, a ONG Compata ajuizou uma ação civil pública pedindo a condenação da Prefeitura de Morungaba ao pagamento de multa por descumprimento da liminar e indenização por danos morais coletivos, já que houve comprovação de que os animais foram submetidos a maus-tratos.

“As médicas veterinárias Maria Eugenia Carretero, mestre e doutora em patologia animal, perita judicial, e Márcia de Sousa Carvalho concluem que os animais estavam em condições de estresse físico e emocional grave associado à presença de instrumentos usados para golpear os animais. E há evidência de golpes sem instrumentos culminando em maus-tratos físicos e emocionais irreparáveis à espécie”, consta no documento.

“A impossibilidade de avaliação clínica não permitiu estimar a porcentagem de animais que serão acometidos pela ‘doença da segunda-feira’ secundária à lesão muscular e renal devido à exaustão de exercício físico dos ruminantes e equinos que pode ser fatal. A impossibilidade de avaliação clínica não permitiu estimar a porcentagem dos ruminantes que desenvolverão meteorismo e consequente morte.”

Também não foi possível estimar a porcentagem de ruminantes que desenvolverão hematomas e necrose tecidual pelos sedéns e cordas americanas.

“[Constatamos] presença de animais com lesões em sangramento ativo sem atendimento veterinário e expostos em novas provas, assim como ausência de água, comida, áreas de descanso e proteção às intempéries durante as provas.

O laudo de 46 páginas é acompanhado de muitas fotos registradas pela médica veterinária Márcia de Sousa Carvalho.

Entre os inúmeros problemas identificados nos animais, é citado também no documento um novilho com lesões contusas ulceradas, sanguinolenta e multifocal em face, que foi ferido em prova devido ao golpe do laço em alta velocidade. O mesmo novilho machucado foi usado mais de uma vez para realização das provas.

“Existem instrumentos em equinos e ruminantes que foi comprovado cientificamente que causam desconforto e estresse emocional, pois entende-se que afetam diretamente os padrões fisiológicos reduzindo a expectativa e a qualidade de vida. São: freios, bridões, esporas, chicotes, gamarras, martingales, hackamores, sedéns, laços e cordas americanas.”

Sobre as provas de laço realizadas durante o evento, é feita uma observação:

“A tração em direções opostas causa lesões articulares, tendíneas, musculares e ósseas lacerativas e contusas que podem não ter tratamento clínico cirúrgico para alívio de dor com consequente opção a eutanásia.”

Márcia também revelou que encontraram carneiros já exaustos, incapazes de manterem-se de pé, sendo montados por crianças. A veterinária registrou imagens anexadas ao laudo que comprovam isso.

Clique aqui para ter acesso ao laudo completo.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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