Terminou de desenhar uma árvore quando alguém perguntou por que havia carnes penduradas pelos galhos, não frutas. “Você acredita que carne dá em árvore?”
“Não, mas não seria melhor se fosse assim?” “Acreditar nisso ou que fosse verdade? Muitos agem como se acreditassem.” “Não, que fosse verdade.”
Enquanto observava o desenho, lembrou de um sonho, em que pedaços de carne caíam na terra e se transformavam em animais que logo morriam, e o solo se abria e os recolhia.
“O que será que isso significa?” “O que será que isso não significa?” “Na minha árvore, não há nada de animais.” “Mas como teria forma e gosto de carne?”
“A forma da carne não vem do animal, já que ele não se fragmenta, vem das mãos que manipulam lâminas ou máquinas, e quanto ao gosto, o que é o gosto da carne? Que não é gosto de carne.”
Imaginou crianças observando os galhos. Algumas penduradas, balançando e puxando. “Chacoalha mais!”, e a carne sem bicho já nas palmas das mãos. “E se surgissem como as forrageiras?”
Silenciou e fechou os olhos. Brotavam pela espontaneidade, multiplicavam-se e suas folhas afagavam os animais que libertavam.
Quando abriu os olhos, o desenho desapareceu. Quem o fez também. Mas continuaram se encontrando em sua consciência.
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