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Governo da Zâmbia permite que turistas endinheirados matem hipopótamos

Há turistas que viajam para a Zâmbia apenas para caçar hipopótamos e levar “troféus de caça” para casa (Foto: African Hunting Safaris)

É muito comum caçadores ricos viajarem para países pobres para matarem animais selvagens por prazer – a permissividade tem como justificativa o lucro. O Governo da Zâmbia, por exemplo, permite o assassinato de animais selvagens por turistas endinheirados, desde que o valor pago seja considerado “satisfatório”.

Porém, na tentativa de evitar críticas, é comum o argumento de que a prática visa o controle populacional de espécies selvagens. No entanto, ainda que isso fosse verdade, como turistas em busca de “troféus de caça”, e que matam animais por prazer, para expor seus corpos mortos em mídias sociais, podem contribuir com qualquer tipo de conservacionismo? Que tipo de mensagem isso transmite?

Além do discurso de “controle populacional” ser quase sempre um pretexto, nos últimos cinco anos, só a Zâmbia permitiu a caça de mais de 1250 hipopótamos e, com isso, garantiu um lucro equivalente a cerca de 12,5 milhões de reais, segundo a organização Born Free, de preservação da vida selvagem. Os animais mais afetados no país vivem no Vale do Luangwa, no leste da Zâmbia.

De acordo com a Born Free, não há como falar em controle populacional quando estamos nos referindo a uma espécie que já está ameaçada pela caça em todo o continente africano. O que também tem ampliado o interesse dos caçadores pelos hipopótamos é que suas presas são vistas como um “bom substituto do marfim” no mercado asiático.

A Born Free diz ainda que conservacionistas locais e internacionais, além de algumas empresas de safári, se opõem ao abate de hipopótamos por entenderem que isso também pode trazer sérias consequências para o turismo. Atualmente há cerca de 130 mil hipopótamos no mundo todo.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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