Destaques

40 bilhões de frangos vivem em condições deploráveis no mundo

Após uma vida de privação e sofrimento, destino desses animais é o abate e o prato do consumidor (Foto: Aitor Garmendia/Tras Los Muros/Andrew Skowron)

De acordo com um levantamento da organização World Animal Protection, cerca de 40 bilhões de frangos criados para abate por ano vivem em condições deploráveis no mundo.

A maioria desses animais, que são as maiores vítimas da pecuária motivada pelos interesses do consumidor por “carne branca”, é submetida a sistemas industriais intensivos em ambientes sem luz natural ou ar fresco. “São incapazes de ciscar ou abrir as asas. Eles sofrem em cada fase de suas vidas”, afirma a entidade.

Como são animais que resultam de seleção genética para crescerem o mais rápido possível, ou seja, de forma não natural, são comuns problemas como dificuldade de locomoção até corações e pulmões sobrecarregados.

Eles também desenvolvem com mais facilidade feridas, lesões de pele e nos pés em consequência das condições de vida em espaços apertados que são bastante desproporcionais ao rápido crescimento.

O que não ajuda também é que viver em galpões fechados e sem luz natural obriga os frangos a movimentarem-se cada vez menos, o que favorece problemas nas articulações e agrava as dificuldades de movimentação.

“Enfrentam um sofrimento terrível”

“Enfrentam um sofrimento terrível. Com as granjas se tornando cada vez mais industrializadas e intensivas para alimentar a crescente demanda global por carne de frango, essas aves são selecionadas para crescer até três vezes mais rápido que as linhagens tradicionais em um curto espaço de tempo”, destaca a WAP.

Ao final de suas vidas, que chega cada vez mais cedo, com animais sendo abatidos a partir de um mês de idade, as granjas ficam tão superlotadas que o espaço destinado a cada animal é inferior a uma folha de sulfite.

A World Animal Protection denuncia que a maioria dos galpões de criação intensiva de frangos não tem nada além de fileiras de ração e bebedouros.

“Os frangos ficam impossibilitados de expressar seus comportamentos naturais, como se empoleirar, ciscar, explorar o ambiente e tomar banho de areia. Essas atividades normalmente os manteriam ativos e saudáveis. Sem elas, as aves podem sofrer tanto física, quanto psicologicamente.”

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Visualizar comentários

  • Frangos vivem em condições deploráveis no mundo, o mesmo horror de bois, vacas, bezerros, porcos, perus, patos, gansos, arminhos, peixes e visons, porque humanos são peritos em construir infernos para eles, que os torturam antes de mata-los. Não em nome do Pai que os criou para ser protegidos, amparados, conduzidos e socorridos, vivendo e sendo felizes à semelhança humana nossa e Dele.

Posts Recentes

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

4 semanas ago

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal?

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal? Há…

1 mês ago

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos?

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos? Em 2024, o Brasil bateu…

1 mês ago

O consumo humano transforma animais em prisioneiros de seus próprios corpos

A prisão é o corpo: além do matadouro O consumo humano transforma animais em prisioneiros…

2 meses ago

Animais, pela ética do amor ou do cuidado?

Amor ou justiça: por que a ética do cuidado é mais eficaz A premissa de…

2 meses ago

Por que não é uma boa ideia usar o termo “feito de plantas”

Pode parecer coerente usar o termo “feito de plantas” em relação a alimentos ou pratos…

2 meses ago