Ganharam uma galinha caipira para o almoço de domingo. Assim que a ave chegou, a trancaram numa gaiola de madeira, desconfiados que pudesse fugir.
Ela batia as asas, olhava de um lado para o outro e tentava ciscar num chão com parte madeirada e porções de areia espalhadas pelos cantos e nenhuma no centro da gaiola.
Tamanho do espaço? Quatro folhas de sulfite. Encostava o bico na tela e voltava, encostava de novo e voltava. As crianças queriam vê-la e os adultos não deixavam. “Não é pra chegar perto!”
Marcaram a degola para a manhã seguinte. De madrugada, a galinha acordou todo mundo com um som que parecia lamento.
Imaginaram que alguém tivesse invadido o lugar, mas encontraram a galinha sozinha num canto, com sangue nas penas e a ponta do bico quebrada.
Havia marcas de bicada na tela que tentou furar para escapar. Uma das crianças começou a chorar quando a viu machucada e pediu para soltá-la. Outras duas também imploraram pela vida da galinha.
Na hora prevista para o abate, a gaiola estava vazia e a galinha que já chamavam de Vitória ciscava lá fora e continuou ciscando.
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