Categorias: Opinião

Abate de animais no Brasil ultrapassa 6,98 bilhões em 2021

Fotos: Aitor Garmendia

Será que quem come carne sabe quantos animais são mortos por ano no Brasil para esse fim? De acordo com dados divulgados neste mês de março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o abate de animais no país ultrapassou 6,98 bilhões em 2021. Isso significa 582 milhões de mortos por mês, 19,4 milhões por dia e mais de 808 mil por hora.

Enquanto o abate de bovinos caiu 7,8%, o de frangos cresceu 2,8% e o de suínos aumentou 7,3%. Só no ano passado, 27,54 milhões de bovinos foram abatidos. Já o número de frangos subiu para 6,18 bilhões e o de suínos para 52,97 milhões.

Não é novidade que em tempos de crise econômica a redução do abate de bovinos leva ao aumento da matança de frangos e suínos como uma forma de “compensação” a partir da indústria da carne.

Em comparação com 2020, o número de frangos abatidos aumentou 169,87 milhões, o que, segundo o IBGE, é um “recorde da série histórica iniciada em 1997”.

Ou seja, por enquanto, não há um ano em que mais frangos foram mortos no país para consumo do que em 2021. Além disso, com 3,61 milhões de porcos abatidos a mais do que ano retrasado, 2021 foi o ano em que a matança de suínos atingiu um total de 52,97 milhões, também um recorde.

Se refletirmos sobre esses números, não há como ignorar que uma quantidade imensa de animais é morta no país a cada dia apenas para que “possamos consumir carne”.

Será que todo esse derramamento de sangue é justificável? Já que o consumo de carne é resultado de hábitos alimentares, logo uma prática mutável e condicionável.

Considere também o impacto da produção de carne no meio ambiente. Afinal, a criação de animais para abate também demanda muitos recursos naturais e produção de vegetais para alimentá-los, o que exige grandes áreas de cultivo.

Sem dúvida, abater mais de 6,98 bilhões de animais em um ano significa muito mais do que preferimos racionalizar.

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David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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