Olho para o corpo de um animal inteiro, vivo, doméstico, pacífico. Não tento adivinhar sua intenção, se há intenção. O que atrai minha atenção é sua forma, a posição do corpo, sua figuração no ambiente.
Penso no que é a figuração e se usar essa palavra não é especismo. Por que seria? A realidade não humana que observo é uma figuração porque reconheço uma condição de trânsito. O vai que não volta e o chega que é para ir também.
Não há ordem para seguir. Não há caminhão transportando aquele corpo. Não há cheiro de montoeira. Não há cutucada doída para aligeirar. Não há corda envolvendo o pescoço. Não há disparo contra o crânio. Não há faca penetrando a garganta. Não há sangue ou boca embaixo do pescoço. Não há corpo se debatendo.
O que vejo é um corpo vivo como se estivesse por ali para sempre, indo e vindo, se achegando ou se afastando. Não há barulho. Morde o capim e escuto a mastigação. Não olha para lado nenhum, só para baixo.
Levanta a cabeça e se afasta da mangueira. Para de novo, onde tem mais sol. Fica ali, com o rabo iluminado, sem se mexer por instante ou mais do que instante. Parado, mas vivo. Vida é o que vejo, só vida, que nunca é só.
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