Algo brilhava dentro do forno, e não era papel alumínio, mas a pele untada de um pintado inteiro que trepidava. Quando o tiraram do forno, toda a gente viu seus olhos vacilantes que respondiam à boquinha tremulante. As únicas partes que não foram marcadas pelo fogo. Ainda tinha vida.
Seu couro parecia envernizado, e queimaram os dedos quanto tentaram tocá-lo. Era o carimbo da natureza, denunciando que cada bolinha no corpo do Pintado representava uma semana de vida que ele já não teria. Enquanto o peixe agonizava, Manuela gritava. Com o barulho, o pintado se lançou no chão da cozinha.
A criança se afastou. Mas quando alguém ameaçou colocá-lo de novo no forno, Manuela berrou: “Não! Não! Não!” Enrolou o peixe já sem vida em um lençol branco, caminhou até o quintal e o enterrou no jardim, ladeado por um pé de Jasmim. Deu a ele o nome de Querubim, afirmando que quem nasce nadando morre voando.
Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…
No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…
No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…
Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…
Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…
Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…