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Amêndoas substituem gado em fazenda leiteira de 125 anos

São mais de 161 hectares de amendoeiras com previsão de expansão para pelo menos 364 nos próximos anos (Fotos: Divulgação)

A Giacomazzi Dairy, a mais antiga fazenda leiteira da Califórnia (EUA), anunciou na semana passada que está deixando o ramo após 125 anos. Atualmente a empresa familiar tem investido no plantio de amêndoas – são mais de 161 hectares de amendoeiras com previsão de expansão para pelo menos 364 nos próximos anos.

“Nos últimos cinco anos, tem sido muito difícil ganhar dinheiro com a indústria de laticínios [com novas] regulamentações, aumento do custo da mão-de-obra, baixos preços do leite”, informou o empresário Dino Giacomazzi em entrevista à rede ABC.

A estimativa é de que 500 fazendas leiteiras fecharam suas portas só na Califórnia nos últimos dez anos, segundo a emissora. “É melhor você investir seu dinheiro em árvores… amêndoas, pistache, uvas. Existem muitas alternativas que proporcionam um retorno maior”, declarou o criador de vacas leiteiras Cornell Kasbergen.

De acordo com informações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 2.731 fazendas leiteiras fecharam as portas nos EUA em 2018. Somente no estado de Wisconsin o total de fazendas que saíram do mercado chegou a 590 no ano passado. Já o estado da Pensilvânia teve 370 fazendas fechadas em 2018.

A Dairy Farmers of America, associação de produtores de leite dos Estados Unidos, divulgou recentemente um relatório informando que em 2018 a indústria de laticínios sofreu queda nas vendas no valor de 1,1 bilhão de dólares em comparação com 2017.

Um relatório publicado pelo The Washington Post mostrou que a população dos EUA está consumindo 37% menos leite do que nos anos 1970. Como consequência, alguns laticínios foram além e mudaram completamente de ramo nos últimos anos, como é o caso da Elmhurst, de Nova York, que fechou sua indústria de produtos lácteos em 2016, após 80 anos, para inaugurar a Elmhurst Milked, de alternativas vegetais.

Independente de causa, e na contramão da crise no mercado leiteiro, estão as alternativas aos laticínios baseadas em vegetais, que têm ocupado cada vez mais espaço e atraído até mesmo a atenção e interesse de empresas do ramo leiteiro.

Nos Estados Unidos, além do surgimento de novas marcas não lácteas a cada ano, a Dean Foods, segunda maior companhia leiteira do país, além de fechar laticínios e romper contratos com dezenas de produtores de leite só no estado da Pensilvânia, se tornou acionista da marca de leites vegetais Good Karma, que segue em ascensão nos EUA.

A previsão é de crescimento global de alternativas aos lácteos de mais de 40% até 2023, segundo a ResearchandMarkets. Vale lembrar também que foi em 2018 que a Marcus Dairy, um dos maiores laticínios de Connecticut, anunciou o encerramento do contrato com 52 fazendas por causa da queda na demanda por leite.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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