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Ativistas realizam manifestação contra o abate de jumentos no dia 14

Ativistas argumentam que é inconcebível que em 2018 um animal dócil e inteligente como o jumento tenha um fim tão cruel (Foto: Itambé Notícias)

No dia 14 de outubro, ativistas de várias cidades do Brasil vão realizar manifestações contra o abate de jumentos. A iniciativa da Frente Nacional de Defesa dos Jumentos tem como principal objetivo conscientizar a população sobre o fato de que mais uma espécie animal está sendo reduzida a alimentos e outros produtos.

Para os ativistas, é inconcebível que em 2018 um animal dócil e inteligente como o jumento tenha um fim tão cruel. Inserido na cultura brasileira desde o século 16, os jumentos foram explorados como animais de carga por séculos. Porém, recentemente passaram a ser considerados desnecessários para essa finalidade.

Por isso, nos últimos anos alguns criadores de animais e representantes do governo brasileiro passaram a cogitar e a viabilizar o envio desses animais para os matadouros, inclusive aqueles que são abandonados pelos proprietários – o que é uma solução fácil e inadequada para um problema complexo, segundo os ativistas. Além disso, o consumo da carne de jumento não faz parte dos hábitos dos brasileiros, até porque há uma relação de familiaridade e consideração que se perpetuou culturalmente em relação aos jumentos a partir do século 16.

No entanto, a China que mata cerca de 1,5 milhão de jumentos por ano, seja para o consumo de carne ou para a utilização na medicina chinesa, tem dialogado com o Brasil desde 2015, onde a criação de jumentos é uma tradição, para intensificar a exportação desses animais com finalidade de abate.

“Milhões de asininos em todo o mundo estão sendo mortos para alimentar a demanda por um remédio tradicional na China. Trata-se do ejiao, uma gelatina obtida a partir da pele de jumentos e de burros após imersão e cozimento”, informa a organização britânica Donkey Sanctuary.

Em oposição ao abate de jumentos, ativistas vão realizar manifestações no dia 14 de outubro em São Paulo (Vão Libre do Masp), Rio de Janeiro (Praia de Copacabana), Belo Horizonte (Praça da Liberdade), Porto Alegre (Monumento ao Expedicionário), Fortaleza (Praça dos Estressados), Salvador (Farol da Barra), Recife (Boulevard), Brasília (Eixão do Lazer – Altura da 7 Norte), Aracaju (Orla de Atalaia), Campo Grande (Parque das Nações Indígenas), João Pessoa (Busto de Tamandaré), Balneário Camboriú (Barra Sul Trapiche), Teresina (Ponte Estaiada Mestre João Isidoro França) e Curitiba (Boca Maldita).

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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