Opinião

Reconhecimento da senciência animal pode influenciar exportação de gado vivo na Austrália

2,4 mil ovelhas que morreram em 2017 a bordo de um navio da companhia Awassi Express (Acervo: CBS)

O Território da Capital Australiana, que inclui Camberra, a capital federal da Austrália, pode se tornar o primeiro território ou estado do país a reconhecer formalmente a senciência animal. Recentemente, o ACT realizou uma consulta pública com resultado favorável aos animais e que será encaminhada e debatida na Assembleia Legislativa. Com isso, o projeto de reconhecimento da senciência tem grandes chances de aprovação.

Se isso realmente se confirmar, significa que o governo realmente entende que as emoções e os sentimentos dos animais têm impacto em seu bem-estar. E o ponto positivo é que a nova legislação pode ter influência sobre a exportação de gado vivo que parte da Austrália, um dos países que mais exporta animais vivos.

O reconhecimento da senciência animal sob respaldo legal deve obrigar o governo a adotar medidas mais enérgicas contra situações em que há comprovação de negligência ao bem-estar animal.

Sem dúvida, a exportação de gado vivo por si só já é uma prática injustificável, considerando que é impossível animais não morrerem durante longas viagens ou não passarem por nenhuma situação de privação e sofrimento – ainda que, de qualquer forma, o destino final seja a morte motivada pelo consumo.

Prova disso é que no ano passado a Emanuel Exports teve a sua licença de exportação de animais vivos revogada temporariamente pelo governo australiano, após a conclusão das investigações sobre as 2,4 mil ovelhas que morreram em 2017 a bordo de um navio da companhia Awassi Express, contratada pela Emanuel. Um vídeo que foi ao ar no programa 60 Minutes, da CBS, mostrou as terríveis condições em que os animais eram transportados.

Sabemos que enquanto a maioria das pessoas se alimentarem de animais, seja na Austrália ou em qualquer outro país, a luta pelos direitos animais vai continuar encontrando oposição na objetificação animal, ainda que haja o reconhecimento legal da senciência. Porém isso não signifique que a mudança não esteja acontecendo.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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