No terceiro trimestre de 2020, o Brasil matou mais de 1,52 bilhão de animais para consumo, e contabilizando apenas bovinos, frangos e suínos abatidos em matadouros em situação regular.
O total baseado em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados ontem (12) dão uma clara dimensão da violência legitimada contra outras espécies nas nossas relações de consumo. Afinal, falando em indivíduos, isso representa mais de oito vezes a população brasileira.
Os frangos, que ocupam o primeiro lugar das espécies mais abatidas para consumo no mundo, e no Brasil não é diferente, representam o maior volume de mortes – chegando a 1,50 bilhão em um período de 90 dias nos matadouros brasileiros.
Além disso, 1,50 bilhão significa aumento de 6,2% em relação ao segundo trimestre de 2020 – quando foram mortos 1,40 bilhão. Já o número de suínos, que é o mamífero mais abatido para consumo no Brasil e no mundo, foi de 12,57 milhões – um aumento de 7% em relação ao mesmo período de 2019.
Com relação aos bovinos, a matança entre julho e setembro de 2020 foi de 7,58 milhões, 10,8% menor do que no terceiro trimestre de 2019.
Esses números mostram que mesmo com a pandemia de covid-19 não houve uma mudança tão significativa nos matadouros. Claro, houve uma queda de “produção” na indústria de carne bovina, mas o oposto aconteceu em relação a frangos e suínos.
Isso talvez explique também porque os funcionários da indústria da carne estão entre os mais afetados pela contaminação de covid-19. Afinal, se houve aumento de produção, muitos tiveram de dar continuidade às jornadas de trabalho para alcançar esse volume amparado na violência contra animais de outras espécies, assim também se sujeitando a inúmeros riscos em tempo de pandemia.
Sem dúvida, a situação demanda uma reflexão sobre o que existe por trás da carne antes de chegar ao prato. Afinal, um alimento de origem animal envolve um processo que não poderia ser mantido distante dos olhos do consumidor.
Por outro lado, deveria ser um compromisso de todos buscar esse tipo de informação e refletir se realmente vale a pena financiar essa indústria que só existe em consequência de mutáveis hábitos de consumo.
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