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Brasil matou 1,43 bilhão de frangos no segundo trimestre de 2019

Em um período de no máximo um mês e meio, um frango é condicionado a alcançar o peso de três quilos, o que é considerado ideal para o abate (Fotos: Getty)

De acordo com os resultados da Estatística da Produção Pecuária divulgados este mês pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil matou 1,43 bilhão de frangos para consumo no segundo semestre de 2019. Todos os dados conclusivos devem ser divulgados pelo órgão no dia 12 de setembro.

O total de frangos abatidos significa aumento de 3,6% em relação ao mesmo período de 2018 e retração de 1,5% em comparação com o primeiro trimestre de 2019.

Embora o número seja surpreendente, não se equipara aos 2,073 bilhões de frangos mortos nos matadouros brasileiros no último trimestre de 2018, quando a proximidade com o período de festas tende a elevar ainda mais o consumo de carne de aves.

Normalmente os frangos mais consumidos no Brasil são mortos com 40 a 45 dias de idade. Ou seja, em um período de no máximo um mês e meio, um frango é condicionado a alcançar o peso de três quilos, o que é considerado ideal para o abate.

Com o rápido ganho de peso, os animais podem sofrer porque seus músculos, ossos e órgãos se desenvolvem rápido, afetando a fisiologia das aves. Há também agravantes como distúrbios metabólicos, problemas respiratórios, calcificação e deformação óssea.

Outro problema é que nesse sistema de produção, para lidar com os problemas gerados com o rápido desenvolvimento dos animais e com as doenças que surgem em um cenário de superpopulação, usa-se antibióticos, o que é apontado por diversos especialistas, incluindo pesquisadores do Centro de Ação contra a Resistência aos Antibióticos, da Universidade George Washington, dos Estados Unidos, como bastante problemático.

O motivo é que o uso de antibióticos já culminou no surgimento de bactérias multirresistentes, e que têm se adaptado ao organismo de animais e pessoas. Sendo assim, com tal consequência, os antibióticos passam a não ser tão eficazes nem para lidarem com problemas de saúde de animais nem de humanos.

Basicamente, isso significa que, com o tempo, quem consome carne de animais afetados por bactérias multirresistentes também pode ficar vulnerável em um possível cenário de surgimento de doenças e ineficácia de antibióticos.

Há uma estimativa de que mais de 131 mil toneladas de antibióticos são utilizadas todos os anos nas cadeias de criação da pecuária mundial, o que gera um lucro de cinco bilhões de dólares para a indústria farmacêutica por ano.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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