A última avaliação realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que o Brasil matou 1,45 bilhão de frangos para consumo em 90 dias, o que significa aumento de 2,3% em relação ao trimestre anterior.
Embora o total já pareça surpreendente, ainda assim não se equipara aos 2,073 bilhões de frangos abatidos nos matadouros brasileiros no último trimestre de 2018.
Normalmente os frangos mais consumidos no Brasil são mortos com 40 a 45 dias de idade. Ou seja, em um período de no máximo um mês e meio, um frango é condicionado a alcançar o peso de três quilos, o que é considerado ideal para o abate. Mas será que isso é saudável ou deveria ser visto com bons olhos?
Com o rápido ganho de peso, os animais tendem a sofrer porque seus músculos, ossos e órgãos se desenvolvem rápido, afetando a fisiologia das aves. Há também agravantes como distúrbios metabólicos, problemas respiratórios, calcificação e deformação óssea.
Outro problema é que nesse sistema de produção, para lidar com os problemas gerados com o rápido desenvolvimento dos animais e com as doenças que surgem em um cenário de superpopulação, usa-se antibióticos, o que é apontado por diversos especialistas, incluindo pesquisadores do Centro de Ação contra a Resistência aos Antibióticos, da Universidade George Washington, dos Estados Unidos, como bastante problemático.
O motivo é que o uso de antibióticos já culminou no surgimento de bactérias multirresistentes, e que têm se adaptado ao organismo de animais e pessoas. Sendo assim, com tal consequência, os antibióticos passam a não ser tão eficazes nem para lidarem com problemas de saúde de animais nem de humanos.
Basicamente, isso significa que, com o tempo, quem consome carne de animais afetados por bactérias multirresistentes também se torna vulnerável em um possível cenário de surgimento de doenças e ineficácia de antibióticos.
Há uma estimativa de que mais de 131 mil toneladas de antibióticos são utilizadas todos os anos nas cadeias de criação da pecuária mundial, o que gera um lucro de cinco bilhões de dólares para a indústria farmacêutica por ano.
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