Na Europa, redes de supermercados estão boicotando a carne brasileira por associação com o desmatamento. A decisão veio após a conclusão de um relatório que é resultado de investigações realizadas pela ONG Repórter Brasil em parceria com a ONG Mighty Earth.
“Redes de supermercados na Bélgica, França, Holanda e Reino Unido anunciaram na quarta-feira [15] que não comprarão mais carne brasileira ou produtos derivados”, informa a Mighty Earth, acrescentando que a associação com o desflorestamento está relacionada principalmente à JBS, que a maior empresa de carne bovina do mundo.
“Rastreamos a carne bovina brasileira até as prateleiras das lojas de varejo europeias, incluindo carne fresca, seca e enlatada. A Mighty Earth compartilhou as descobertas diretamente com as empresas antes de publicarmos o relatório, o que resultou nesse boicote”, explica o diretor da Mighty Earth Europa, Nico Muzi.
“Este é um divisor de águas porque vários grandes supermercados de toda a Europa estão dizendo um enfático “não!” à carne brasileira por causa de sua relação com o desmatamento.”
Muzi acrescentou que a JBS e o governo brasileiro têm feito muitas promessas e apresentado poucos resultados. “O Natal chegou mais cedo para as florestas da Amazônia, o Cerrado e o Pantanal.”
Entre as empresas que começaram a boicotar a carne brasileira está a holandesa Ahold Delhaize, que também é proprietária da Albert Heijn e Delhaize, que estão entre as maiores redes de supermercados da Holanda e da Bélgica. As outras são Lidl (Países Baixos), Carrefour (Bélgica), Auchan (França), Sainsbury’s (Reino Unido) e Princes Group (Reino Unido).
A Mighty Earth disse que também estão pressionando o Carrefour para deixar de comercializar carne da JBS em todas as suas unidades no mundo.
Com receita anual de US$ 50 bilhões, a JBS abate quase 35 mil bovinos por dia somente no Brasil. Em 2017, estima-se que cerca de um terço das exportações de carne bovina da JBS tenham vindo da Amazônia.
No ano passado, a Amazônia brasileira viu os piores níveis de desmatamento em 15 anos. Cientistas estimam que dois terços das áreas desmatadas na Amazônia e no Cerrado foram convertidos em pastagens para gado.
“A nova pesquisa mostra que a JBS continua vendendo carne bovina vinculada ao desmatamento, embora existam cerca de 650 milhões de hectares de terras na América Latina onde a produção agrícola sem desmatamento é possível”, disse Muzi.
“A grande notícia é que a Europa não está comprando agora. Essas ações comerciais, bem como a nova legislação da UE para erradicar o desmatamento importado, mostram que o controle sobre os destruidores de florestas está cada vez mais forte.”
Clique aqui para ler o relatório da ONG Repórter Brasil
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