Notícias

China sinaliza fim da tolerância ao consumo de carne de cachorro

Agora ativistas dos direitos animais chineses, assim como a Humane Society International (HSI), esperam que a diretiva seja respeitada (Foto: Wu Hong/EPA)

No final de maio, entrou em vigor na China uma medida que pode marcar o fim da tolerância ao consumo de carne de cachorro ao excluir cães da lista de animais que podem ser consumidos no país.

Sobre o assunto, o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais destaca que “alguns costumes envolvendo cães” devem mudar e eles devem ser vistos como “animais de companhia”.

Agora ativistas dos direitos animais chineses, assim como a Humane Society International (HSI), esperam que a diretiva seja respeitada, colocando um fim ao Festival de Lichia e Carne de Cachorro, realizado em Yulin desde 2009, onde anualmente são mortos cerca de dez mil cães.

Na China, somente os animais listados no Diretório de Recursos Genéticos de Gado e Aves Domésticas, e que já não inclui cães, podem ser criados, comercializados e transportados para fins comerciais e de consumo. A esperança agora é de que até 10 milhões de cães deixem de ser mortos por ano no país.

Costumes também mudam

Um porta-voz do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China disse, segundo o jornal britânico Daily Mail, que com o progresso e a conscientização humana os hábitos alimentares estão passando por grandes mudanças. “Alguns costumes sobre cães também mudam.”

É exatamente a ideia de costume que fortaleceu o consumo de carne de cachorro no país asiático ao longo dos anos. No entanto, não há como classificar o Festival de Yulin como tradicional, já que sua história se iniciou há dez anos, o que não faz do evento parte da cultura ou história chinesa, conforme corrobora uma pesquisa conduzida pela Beijing Capital Animal Welfare Association e Dalian Vshine Animal Protection Association.

O festival sempre teve finalidade comercial, uma tentativa de intensificar o consumo de carne de cachorro. Para tentar favorecer esse mercado, passaram a promover uma história de que tal consumo “traz sorte, boa saúde e melhora o desempenho sexual”.

Vale lembrar que no ano passado o movimento Nação Vegana Brasil conquistou grande atenção ao alcançar a marca de 2,3 milhões de assinaturas no site Change.org contra o festival e que foram entregues na Embaixada da China. Hoje (2), o total já ultrapassa 2,74 milhões de assinaturas.

Para contribuir com o abaixo-assinado, clique aqui. 

David Arioch

Jornalista e especialista em jornalismo cultural, histórico e literário (MTB: 10612/PR)

Posts Recentes

A dor de ser bacon

Quando chegou em casa para o almoço, encontrou um porco na cozinha. Corpulento, ia de…

2 horas ago

Queda na criação de aves estimula grupo avícola a investir em proteínas vegetais

A Louis Dreyfus Company (LDC), maior grupo avícola da França, anunciou este mês que estima…

22 horas ago

Aveda é reconhecida como marca livre de crueldade animal pela CFI

De acordo com informações da organização Cruelty Free International (CFI), a fabricante de cosméticos Aveda…

23 horas ago

PL que cria regime jurídico especial para os animais aguarda votação

O PL 6045/2019, dos deputados federais Ricardo Izar (Republicanos-SP) e Weliton Prado (Pros-MG), que propõe…

23 horas ago

Por que nunca mais comeu frango

Colocou um frango resfriado na cesta e sentiu líquido viscoso. Fez cara de nojo. Trocou…

1 dia ago

Serena Williams e Jake Gyllenhaal trocam ovo de galinha por ovo vegetal

A tenista Serena Williams e o ator Jake Gyllenhaal estão incentivando o consumo do ovo…

2 dias ago