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Com qual idade animais serão mortos para consumo nas próximas décadas?

Foto: Jan Van Ijken

Com qual idade animais serão mortos para consumo nas próximas décadas? Não é novidade que animais criados para fins alimentícios vivem pouco.

Hoje temos frangos sendo abatidos com um mês de idade, cordeiros com três meses, porcos com cinco meses, galinhas poedeiras e novilhos superprecoces com pouco mais de um ano e vacas leiteiras com quatro anos, só para citar alguns exemplos a partir do contexto da pecuária industrial.

A duração da vida desses animais tem sido reduzida enquanto se visa mais lucro em menos tempo, o que, sem dúvida, depende de uma alta demanda por produtos de origem animal, que é tanto a realidade brasileira atual quanto de muitos outros países.

Ou seja, quanto mais animais e derivados são consumidos, menos tempo eles viverão, porque é consequência lógica desse sistema – corresponder ao alto consumo por meio da “aceleração da produção”, o que significa animais submetidos a rápido desenvolvimento e rápida e múltipla geração de algo intrínseco ao seu ciclo de vida a ser vendido como produto.

Logo se vejo um animal vivendo ainda menos para servir, por imposição, ao sistema alimentar, isso significa que sua condição não pode ser desvinculada de um hábito de consumo. Portanto, é coerente eu dizer que lamento por sua situação se estou entre os números que aceleram sua exploração e fim? Não sou parte do problema?

Ademais, o princípio da descartabilidade torna-se cada vez mais acentuado nesse sistema, já que breves vidas também significam grandes exigências, o que explica porque há animais que não resistem e morrem antes do previsto no processo de reificação e produtificação.

E a crescente industrialização do finamento animal não humano é indissociável dessa realidade, já que a industrialização existe para atender grandes demandas que não seriam supridas de outra forma no mesmo período.

Então falar em solução “não industrializada” e em “melhores condições de exploração” não é resolutivo em um mundo com demandas tão altas de alimentos e outros produtos de origem animal. Afinal, mesmo quando não sou esse consumidor, se a maioria é, esse sistema tende a prevalecer.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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