O corpo bovino na água foi visto como carne perdida, não uma morte a ser lamentada. Para aquele animal tão jovem, assim como outros que tiveram o mesmo fim, nada mudou, porque morreu como fim no ser humano.
Para o humano, tal animal não morreu para seu fim, porque ele rejeita essa conclusão pela crença de que seria necessário lucrar com o fim do animal, não lucrando, é como o fim do animal pelo não fim, que não é nele nem em ninguém.
São as contradições criadas para perpetuar os sentidos de uma violência normalizada. O corpo na água é como corpo sem razão, sem causa. Mas que situação levou o animal a morrer afogado senão o interesse humano?
Um animal não ser vendido nem comido é exemplo que refuta que seu corpo sem vida que boia é resultado da determinação humana? Quem diria que resulta da intenção não humana? E o que é essa tragédia que surge como razão do próprio desejo?
Não pode ser o interesse pelo que é fim do outro a própria tragédia? É curiosa a forma da tragédia pensada como adversidade, casualidade, fatalidade, se é forma de desgraça não humana e planejada letalidade.
Não é intrigante como a preparação, como imposição, para a morte leva também à morte variável por antecipação? Mas pode-se chamar mesmo de antecipação? Ou apenas consequência prevista? Porque o que (quem) é para matar é sempre pensado para matar.
O corpo é removido da água, já inchado. Não há um animal a ser visto, porque antes já não havia. A queixa é pelo corpo que chamam de “imprestável”, pela carne comprometida – um olhar para a “matéria corrompida”. E quem a corrompeu? De repente, que é forma de desatenção, veem outros boiando. E o que é vê-los?
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