É válido que pessoas que consomem carne também apoiem o fim da exportação de animais vivos, mas também é válido não deixar de lembrar que tal exportação existe por causa do consumo de animais. Não há mensagem mais clara de oposição a esse tipo de prática do que se recusar a reconhecer animais como fins em interesses humanos.
Enquanto houver pessoas acreditando que está tudo bem em explorar animais e reduzi-los a produtos, sempre haverá alguém querendo tirar vantagem disso para obter o maior lucro possível. Não por acaso a exportação de animais vivos para abate só existe porque é economicamente vantajosa para uma minoria que opta por vender esses animais para outros países.
E para quem não se importa muito com esses animais, mas pode se preocupar com a questão ambiental, a maior parte dos animais exportados do Brasil provém de áreas com altos índices de desmatamento, o que significa que, mesmo quando o animal não é morto e consumido no Brasil, o custo ambiental continua sendo deixado aqui. O Pará, por exemplo, que lidera esse tipo de exportação, está em primeiro lugar no ranking do desmatamento desde 2006.
Não há nada em relação à exportação de animais vivos que seja positivo, e nenhuma dúvida de que o maior custo pesa sobre esses animais. Infelizmente se essa prática continua sendo dilemática no país, com um histórico de proibições e anulações dessas proibições, isso é consequência de um olhar em relação a esses animais que continua não sendo, de forma predominante como deveria, sobre os interesses desses animais.
Também é importante compreender que esses interesses não deveriam ser considerados de forma pontual, como levar em conta somente a “acomodação em um navio” ou “uma forma mais aceitável de ser morto”. Se queremos realmente ser justos, não podemos ser negligentes sobre o que é um interesse mínimo desses animais.
A raiz de todos os problemas em relação ao tratamento que damos aos outros animais é acreditar que o direito de não ser explorado e/ou morto por um interesse desnecessário é algo que não deve ser estendido a eles.
Leia também “Crueldade da exportação de bois vivos se concentra no Pará“.
Você também pode clicar aqui para ler mais sobre a exportação de animais vivos.
Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…
No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…
No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…
Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…
Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…
Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…