Um menino não quis mais comer salsicha ao saber que é feita de partes de animais separadas de forma mecânica.
Olhou para o cachorro-quente e sentiu amargor e azedume na boca. Depois a língua começou a acidular. Perguntou-se por que ninguém diz que “salsicha é coisa estranha”.
Pensou em mistura de bichos caindo em um triturador – bois, vacas, porcos, frangos e galinhas. Atravessavam doutro lado, misturando-se sem vida, perdendo-se de si e dos outros.
Restou só uma massa estranha e uniforme, de cor oscilante, indefinida pela incômoda mistura, que chamou de “embolada”. “Quando vem a cor final?” Sentiu o estômago estranho, um pouco de náusea.
Então esqueceu desse desconforto e quis saber quantas partes de quantos animais vão para uma bandeja ou embalagem de salsicha.
“Quem sabe dizer?” Achou que talvez o número não fosse importante, mas só a ideia da salsicha.
“Sal-si-cha. Saal-sii-chaa”, repetiu várias vezes. Um nome simples que não diz o que é, e que vira apelido, coisa engraçada, piada.
“Isso significa que comer uma salsicha é como comer vários animais mortos ao mesmo tempo?” E tentou adivinhar quantas salsichas comeu, sem chegar a um número final. “Quantos animais?”
Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…
No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…
No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…
Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…
Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…
Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…