Um menino olhou para um animal e perguntou-lhe: “O que acha de ser comido?” Depois mostrou-lhe um pedaço de carne como a sua. Não reagiu. “Aqui já não tem vida.”
Olhou para o menino, mas não moveu o corpo. “Por que acham que você precisaria dizer algo para não ser comido? Porque parece que apenas se você falasse como nós é que poderia não ser comido. Mas tantos outros não falam e ninguém fala em comer. É azar ser escolhido para ser comido?”
Percebeu que azar não era a palavra adequada e pensou que não existisse uma palavra que pudesse resumir a prática de “ser escolhido”, porque ainda faltaria algo. Concluiu que seria preciso combinar várias palavras sem descartar nenhuma.
“Tudo que dirão que é será que é? E tudo que dirão que não é será que não é?” Ele já não olhava para o menino. Deitou-se num pedaço de capim arrancado, sem se incomodar com os sons de dúvidas sobre seu fim.
O menino achou sua tranquilidade uma manifestação de alheamento, mas que poderia ser arrancada dele a qualquer momento. E seria.
Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…
No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…
No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…
Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…
Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…
Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…