Opinião

É mais ético não se alimentar de animais

Somos seres conscientes e em condições de adotar uma alimentação que não envolva privação, sofrimento e morte (Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals)

É mais ético não consumir alimentos de origem animal. Afinal, se somos capazes de viver bem sem nos alimentarmos da privação, sofrimento e morte de criaturas sencientes, não há motivo para continuar contribuindo com essa violência.

Se mesmo diante de todas as informações às quais tive acesso sobre senciência, consciência animal e exploração animal, eu optasse por continuar me alimentando de animais, não faria isso por crer que a minha nutrição demanda o sofrimento e a morte de outras espécies, mas sim porque eu seria alguém reafirmando que o meu paladar, a minha conveniência, está no topo das minhas prioridades.

Acredito que eu colocar uma comodidade historicamente cultural acima do valor da vida de outras espécies, uma comodidade baseada na subjugação, e que deveria ser um bem inegociável considerando seu fim faccioso enquanto bem de consumo, não é apenas injusto como desnecessário de minha parte.

Animais não se oferecem para que possamos esfaqueá-las

Até porque sei que os animais não oferecem suas partes para que possamos esfaqueá-las ou fatiá-las. Por isso, quando encontro partes de animais reduzidas a produtos em mercados, ou onde quer que seja, o que vejo não é um bem de consumo colocado à venda de forma natural ou pacífica, mas sim representações fragmentadas de violência e arbitrariedade.

Experimente contar quantas partes que não pertencem a um mesmo animal você é capaz de encontrar em uma bandeja no açougue. Um quilo de alguma coisa pode representar a morte de quatro ou cinco animais, ou até mais.

Isso não é uma forma de banalização da vida? Vidas ceifadas e partes acondicionadas em um pedaço de isopor com um involucro plástico, ou um saco plástico transparente, normalmente. Creio que a banalização da vida, mesmo quando não humana, diz muito sobre o valor que atribuímos ao que consideramos diferente, inferior e liliputiano.

Não precisamos de nenhum alimento de origem animal

Há animais na natureza silvestre que dependem essencialmente da carne. Esses eu jamais condenaria, pois fazem o que nasceram para fazer na luta pela sobrevivência; e, claro, sem ponderar, já que a eles não cabe nosso discernimento.

Mas nós? Não precisamos de nenhum alimento de origem animal. Somos seres conscientes em condições de adotar uma boa alimentação que não envolva privação, sofrimento e morte.

Gosta do trabalho da Vegazeta? Colabore realizando uma doação de qualquer valor clicando no botão abaixo: 

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

4 semanas ago

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal?

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal? Há…

1 mês ago

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos?

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos? Em 2024, o Brasil bateu…

1 mês ago

O consumo humano transforma animais em prisioneiros de seus próprios corpos

A prisão é o corpo: além do matadouro O consumo humano transforma animais em prisioneiros…

2 meses ago

Animais, pela ética do amor ou do cuidado?

Amor ou justiça: por que a ética do cuidado é mais eficaz A premissa de…

2 meses ago

Por que não é uma boa ideia usar o termo “feito de plantas”

Pode parecer coerente usar o termo “feito de plantas” em relação a alimentos ou pratos…

2 meses ago