As novas diretrizes alimentares divulgadas este mês pela Espanha recomendam que a população consuma de zero a três porções de carne por semana. A iniciativa foi recebida como um avanço, considerando o reconhecimento oficial do impacto do consumo de carne na dieta da população.
Além disso, a sugestão de não consumir carne, embora também fale em um máximo de três porções por semana, reconhece que uma dieta livre de carne é saudável e recomendada.
As diretrizes foram elaboradas pelo Comitê Científico da Agência Espanhola de Segurança Alimentar e Nutrição (Asean), que afirma que a adoção dessas sugestões pode beneficiar tanto a saúde humana quanto o meio ambiente.
O comitê destaca que “a adoção pela população espanhola de um padrão alimentar variado e equilibrado, caracterizado principalmente por uma maior predominância de alimentos de origem vegetal e uma menor presença de alimentos de origem animal, em linha com o padrão de dieta mediterrânea, pode melhorar a estado de saúde e bem-estar, assim como reduzir o impacto ambiental do sistema alimentar”.
Para a elaboração das novas diretrizes, o comitê também levou em conta as sugestões da Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) e revisou as provas científicas mais recentes – sob uma perspectiva de alimentação saudável e ambientalmente sustentável em linha com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela ONU.
A iniciativa estimulou a organização Plant-Based Food Alliance a instar o Reino Unido a seguir a Espanha, recomendando de zero a no máximo três porções de carne por semana.
“Isso representa um avanço para a Espanha na abordagem das recomendações dietéticas e o Reino Unido deve procurar seguir o exemplo”, disse Marisa Heath, CEO da Plant-Based Food Alliance.
“Há uma necessidade urgente de mudarmos para uma dieta mais baseada em vegetais por razões de saúde, mas também porque nossa falha em fazê-lo nos leva mais perto do colapso do ecossistema.”
Um estudo da Universidade de Bonn publicado no início deste ano ressalta que o consumo de carne nos países ricos precisa ser reduzido em 75% para que seja possível cumprir as metas climáticas internacionais.
“Os alimentos de origem animal emitem duas vezes mais gases de efeito estufa do que os alimentos à base de vegetais e o governo do Reino Unido precisa agir decisivamente sobre isso para incentivar uma mudança para dietas à base de vegetais”, reforçou Marisa Heath.
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