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Cordeiros estão vivendo cada vez menos

Cordeiros das raças Ile de France, Suffolk, Poll Dorset e Texel são desmamados com no máximo 45 dias e abatidos a partir dos 90 dias (Foto: Pixabay)

A expectativa de vida do cordeiro caiu ainda mais nos últimos dez anos no Brasil. O animal que já era abatido de forma precoce com idade de cinco a seis meses atualmente é morto com três meses.

O que mudou é que hoje o padrão já é criar o animal em um regime mais intensivo, o que significa mais privação e mais condicionamento nutricional visando ampliar o peso do cordeiro em um período muito menor de tempo.

No estado de São Paulo, o que favoreceu esse sistema de produção foi a chamada Tecnologia IZ, desenvolvida na década passada pelo Instituto de Zootecnia de São Paulo, vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento.

Condicionado a ganhar 300 gramas por dia

Afastado de sua mãe, o cordeiro criado para abate superprecoce é confinado e condicionado a ganhar até 300 gramas de peso por dia. A dieta é mantida até o filhote de carneiro chegar a pelo menos 30 quilos. Nesse sistema, cordeiros das raças Ile de France, Suffolk, Poll Dorset e Texel são desmamados com no máximo 45 dias e abatidos a partir dos 90 dias.

Após um período de jejum de 16 a 24 horas, o abate é feito com uma pistola pneumática. O cordeiro é imobilizado e então é acionado um dispositivo que atinge o seu cérebro como uma agulha grossa, o deixando atordoado.

Assim que cai, é pendurado sobre grilhões pelas patas traseiras e degolado. O sangue desse filhote de poucos meses, que se debate durante o abate, é usado na culinária. Depois de sangrado, esfolado, eviscerado, decapitado, além de ter suas patas e glândulas mamárias removidas, extrai-se os rins.

Do rabo, são mantidas poucas vértebras

Do rabo, são mantidas poucas vértebras. Suas partes não comestíveis são descartadas no lixo, como se não houvesse razão para existir. Então o cordeiro é refrigerado até esfriar, quando se inicia o processo de corte.

Morto ainda muito jovem, ele poderia chegar a 15 e até 20 anos caso não fosse reduzido a produto. Depois de esquartejado, seus pedaços são vendidos no atacado e no varejo – os mais procurados são o lombo, pernil, costela, picanha, peito, ombro e braço. Essas são as partes que as pessoas mais gostam de consumir e que são provenientes de uma criança de outra espécie.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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